Um dos poucos temas capazes de unir deputados da direita e da esquerda dominou a sessão da Alerj nesta terça-feira (30): o combate às casas de apostas esportivas.
Parlamentares de partidos completamente opostos defenderam o fim da propaganda das bets nos estádios, nas camisas dos clubes e em eventos esportivos, alegando que o vício em apostas já destrói famílias, provoca endividamento e até suicídios.
O deputado Rodrigo Amorim (PL) voltou a cobrar a votação do Projeto de Lei 3.591/2024, que proíbe a publicidade e o patrocínio de empresas de apostas em atividades esportivas realizadas no Estado do Rio.
“É um contrassenso transformar o esporte em vitrine para uma atividade que destrói famílias. Um terço dos recursos do Bolsa Família já estaria sendo destinado às apostas. Precisamos acabar com essa propaganda nos estádios do Rio”, afirmou.
O discurso abriu uma sequência de falas duríssimas contra as bets.
A deputada Tia Ju (PROG) disse que recebeu relatos de famílias devastadas pelo vício e citou casos de pessoas que tiraram a própria vida por causa das dívidas acumuladas com apostas.
“É uma maldição. Está na palma da mão das pessoas e destrói famílias todos os dias. Não podemos continuar estimulando esse vício.”
O deputado Alexandre Knoploch (PL) pediu que a Comissão de Direitos Humanos convoque uma audiência pública para ouvir familiares das vítimas do vício em apostas.
“Tem famílias completamente destruídas. Esse debate precisa acontecer sem ideologia e ouvindo quem sofre na pele as consequências.”
O deputado Carlos Minc (PSB) comparou as bets ao cigarro e afirmou que a publicidade transforma um problema grave em algo aparentemente normal.
“Esporte é saúde. Bet é endividamento, é destruição da família e pode levar à morte. Não faz sentido vender isso como se fosse entretenimento.”
Já a deputada Dani Monteiro (PSOL) anunciou um projeto para impedir que beneficiários de programas sociais estaduais utilizem recursos públicos em apostas.
“O vício em bets é uma questão de saúde pública. Destrói lares, destrói carreiras e destrói vidas.”
Gigantes do Rio podem perder patrocinadores
Se o projeto de Rodrigo Amorim for aprovado, os maiores clubes do futebol carioca terão que retirar as marcas de casas de apostas de seus uniformes e demais espaços de publicidade vinculados às competições realizadas no estado.
A proposta também veta anúncios em estádios, placas de campo, transmissões esportivas, mídias digitais, impressas e televisivas relacionadas aos eventos esportivos.
Quem descumprir a futura lei poderá sofrer multas e ter a publicidade suspensa.
Para Amorim, o esporte não pode continuar servindo de vitrine para um mercado que, segundo ele, alimenta o endividamento de milhares de brasileiros.
“Mais de 80% dos usuários desses sites estão endividados. Muita gente deixa de comprar comida para apostar. O futebol deve inspirar sonhos, não incentivar o vício.”



