Fracasso no acolhimento: de 2 mil abordados em Copa, só 35 aceitam ir para abrigo da prefeitura

Os números da própria prefeitura revelam um abismo entre discurso e prática: das 2.067 pessoas em situação de rua abordadas pela Seop em Copacabana neste ano, apenas 35 aceitaram acolhimento. O dado escancara a falta de políticas públicas eficazes para


Os números da própria prefeitura revelam um abismo entre discurso e prática: das 2.067 pessoas em situação de rua abordadas pela Seop em Copacabana neste ano, apenas 35 aceitaram acolhimento. O dado escancara a falta de políticas públicas eficazes para enfrentar o problema, como denunciam os próprios moradores e o Ministério Público Federal. Afinal, o que leva alguém a preferir a fome e a insegurança das ruas a um abrigo público?

O cotidiano da insegurança

Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, praças como a do Lido e a Sara Kubitschek se tornaram pontos críticos. Moradores relatam episódios de violência e medo, enquanto comerciantes reclamam do mau cheiro e da falta de higiene que afastam clientes. “O ambiente fede, e isso espanta quem vem comer”, lamenta um dono de restaurante. A sensação é de abandono e fracasso coletivo.

Vozes das ruas

Entre os que recusam acolhimento, o argumento é claro: falta estrutura nos abrigos. Rafael Justino, de 34 anos, afirma que não aceita porque “não há condições mínimas” e cobra cursos profissionalizantes como saída real da rua. O relato reforça que a política atual não oferece dignidade nem perspectivas de autonomia.

Dados alarmantes

O censo municipal de 2024 registrou 8.195 pessoas em situação de rua, mas estudos independentes apontam números muito maiores: a UFMG identificou 23.431 apenas no Rio em 2025, e o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas calcula 22 mil em 2026. A maioria é formada por homens jovens, com baixa escolaridade e histórico de conflitos familiares ou dependência química. Mais de 30% afirmaram ter passado um dia inteiro sem comer na última semana.

O que diz a prefeitura

A prefeitura do Rio alega que mantém uma rotina diária de limpeza nas praças de Copacabana e que as abordagens sociais realizadas pela Secretaria de Assistência Social incluem escuta ativa, orientação e encaminhamento para serviços de saúde, documentação e cursos de capacitação, mas o acolhimento não pode ser imposto por força de lei.

O dilema invisibilizado

O Ministério Público Federal não se deixa convencer e acusa a prefeitura de omissão, tento pedido intervenção judicial. Enquanto isso, Copacabana, um dos cartões-postais do Rio, se transforma em palco da desigualdade social mais gritante da cidade — onde a ausência de políticas sérias condena milhares a viver sem teto, sem comida e sem esperança.

* com informações do g1 e da Band



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/cidades/23/03/2026/fracasso-no-acolhimento-de-2-mil-abordados-em-copa-so-35-aceitam-ir-para-abrigo-da-prefeitura

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