A vitória do direitista Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia, no domingo (21), mudou o mapa político da América do Sul e ampliou o avanço conservador na região. Com 49,66% dos votos, contra 48,7% do esquerdista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, Espriella venceu uma disputa apertada, ainda sujeita à apuração final do processo eleitoral colombiano.
O resultado tira a Colômbia da esquerda e coloca a direita em vantagem no continente. A virada vem depois de outras duas vitórias recentes: José Antonio Kast no Chile, em dezembro de 2025, e Rodrigo Paz na Bolívia, em outubro de 2025, encerrando quase duas décadas de domínio do MAS no país.
Na prática, o eleitor sul-americano vem trocando governos de esquerda por candidatos com discurso mais duro em segurança, economia e combate ao crime. No caso colombiano, Espriella derrotou o projeto de continuidade de Petro e prometeu uma guinada contra grupos criminosos e narcotráfico.

O Peru segue como ponto de atenção no mapa. A disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez ficou extremamente apertada e ainda depende de conclusão oficial, segundo a imprensa internacional. Por isso, a conta final entre direita e esquerda pode variar conforme o fechamento do processo.
Especialistas apontam que a região vive um ciclo de alternância forte, marcado por desgaste econômico, insegurança, descrença nas instituições e polarização. A chamada “onda rosa”, que colocou a esquerda em vantagem no início dos anos 2000, perdeu força depois do fim do boom das commodities e das crises políticas que atingiram vários países.
O cientista político Maurício Santoro avalia que o continente está “bem dividido ideologicamente” e com dificuldade de diálogo entre governos de campos opostos. Já a professora Regiane Nitsch Bressan aponta que a alternância é natural em democracias, mas fica mais perigosa quando acontece em meio a pobreza, desigualdade e fragilidade institucional.
O novo mapa sul-americano mostra uma região menos homogênea e mais tensionada. A direita avança em países estratégicos, a esquerda tenta preservar seus redutos e temas como crime organizado, crise econômica, Venezuela e relação com os Estados Unidos devem pesar cada vez mais nas eleições dos próximos anos.
Com informações do “g1“.



