Entre terços e lágrimas, como foi o dia decisivo no STF para a solução do crime que matou Marielle

O julgamento que condenou os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes terminou nesta quarta-feira sob forte comoção na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a proclamação do resultado, familiares e amigos das


O julgamento que condenou os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes terminou nesta quarta-feira sob forte comoção na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a proclamação do resultado, familiares e amigos das vítimas se abraçaram e choraram no plenário, em um desfecho carregado de simbolismo político e pessoal.

Assim que a sessão foi encerrada, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, abraçou os pais, Marinete e Antônio, e a sobrinha, Luyara. A cena foi acompanhada por lágrimas e um sentimento visível de alívio.

A mãe de Marielle sorriu no momento em que as penas foram fixadas. Antes, no início do julgamento, Marinete teve um pico de pressão e precisou ser atendida pelos brigadistas do STF. Também passaram mal ao longo do dia o pai de Marielle e a filha da vereadora, sempre por motivos ligados à emoção. 

Fernanda Chaves, assessora de Marielle que sobreviveu ao atentado, também foi cercada por abraços de familiares e amigos que acompanharam o julgamento. 

Família de Marielle se emociona ao fim do julgamento

Do lado da acusação, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateubriand, responsável pela denúncia da PGR que resultou nas condenações, desceu da área reservada aos ministros para cumprimentar os familiares das vítimas.

Além de parentes e amigos, membros do PSOL, partido ao qual Marielle era filiada, acompanharam a sessão. Estiveram presentes os deputados Tarcísio Motta, Chico Alencar, Jandira Feghali, Fernanda Melchionna e Talíria Petrone.

Familiares dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, condenados como mandantes do crime, também acompanharam o julgamento, mas deixaram o plenário logo após o encerramento. Durante a fixação das penas, Pedro Brazão começou a chorar, ficou com o rosto visivelmente vermelho e foi consolado pela esposa.

“Recado” e enfrentamento à violência política

Ao longo da leitura dos votos dos ministros, Anielle e Luyara seguraram terços e ouviram atentamente às argumentações dos magistrados. No momento do voto da ministra Cármen Lúcia, tia e sobrinha concordaram com a ministra quando ela mencionou a ideia de que o país não pode naturalizar “corpos descartáveis”. As duas acenaram com a cabeça, assentindo com o que disse a ministra. 

Já o irmão dos Brazão passou quase todo o julgamento com as mãos unidas, como se estivesse rezando, e segurando um escapulário. 

Também na plateia, o ex-deputado Marcelo Freixo, que hoje está à frente da Embratur, reagiu a citações que um dos advogados fez sobre o depoimento do miliciano “Beto Bomba”.

— Orlando Curicica não pode e Beto pode? — rebateu Freixo. As defesas haviam contestado os relatos de Orlando Curicica, também apontado como miliciano. Seu depoimento, que implicou os Brazão, foi destacado pela Procuradoria-Geral da República durante o primeiro dia de julgamento.

Em outro momento durante o voto, Moraes afirmou que os envolvidos “acharam que não teria repercussão”. Na plateia, foi possível ouvir Freixo comentar: 

— Acharam que não teria consequência. Covardes.

Em fala após o julgamento, Anielle afirmou que a decisão representa um recado à parcela da sociedade que, segundo ela, tentou desacreditar a memória da irmã.

— Isso hoje também é um recado para uma parcela da sociedade que debochou da minha irmã. A violência política de gênero e raça precisa ser parada. Antes de pensarem ou falarem qualquer coisa sobre a índole de Marielle, vão ter que lidar com os fatos. E os fatos são os que vocês viram aqui: todas as condenações, os mandantes sendo condenados e, acima de tudo, a memória da família, o legado de Marielle e a luta, que para a gente não para aqui



Com informações da fonte
https://boletimrj.com.br/entre-tercos-e-lagrimas-como-foi-o-dia-decisivo-no-stf-para-a-solucao-do-crime-que-matou-marielle/

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