A sessão desta terça-feira (14) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foi marcada por forte tensão política, acusações diretas e discursos inflamados. Parlamentares da base acusaram a oposição de tentar desestabilizar o Legislativo estadual e até de comprometer a democracia, em meio ao impasse sobre a eleição para a presidência da Casa, suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O clima de confronto ficou evidente já nas primeiras falas. Deputados criticaram a possibilidade de interferência externa nas decisões internas da Alerj e alertaram para riscos à autonomia do Parlamento.
“Se nós não fizermos uma defesa clara desta instituição, infelizmente vão se utilizando de diversos expedientes para enterrar a democracia”, disse Alexandre Knoploch (PL), ao defender uma reação firme do Legislativo diante do que classificou como ameaças à sua autonomia.
Na sequência, o debate ganhou contornos institucionais, com defesa da imagem da Casa diante de críticas generalizadas. Parlamentares argumentaram que eventuais irregularidades devem ser tratadas de forma individual, sem atingir o conjunto dos deputados.
“Não se pode desmoralizar a Casa do povo”, disse Bruno Dauaire (União), ao rebater críticas que, segundo ele, atingem indistintamente todos os parlamentares.
O embate se intensificou com acusações de articulação política externa para influenciar o processo interno da Alerj. Deputados apontaram interesses eleitorais por trás da crise, mirando diretamente adversários políticos.
“Todo esse movimento vem sendo orquestrado e arquitetado por uma única pessoa no estado do Rio de Janeiro: o senhor Eduardo Paes”, disse Filippe Poubel (PL), ao atribuir a crise a uma estratégia política externa.
“A Casa é soberana. Perdeu, perdeu”, afirmou o parlamentar, em crítica à judicialização do processo.
“Nós não temos medo de voto”, acrescentou, ao defender a realização imediata da eleição.
Em meio ao acirramento, também houve discursos defendendo uma saída institucional para o impasse, com a realização de uma nova eleição para a presidência da Assembleia.
“O que a gente não pode é deixar de fazer uma eleição”, disse Rodrigo Amorim (PL), ao cobrar uma definição urgente.
“Perder ou ganhar faz parte do processo democrático”, completou, destacando a normalidade do embate político.
Outro ponto recorrente foi a crítica à judicialização do processo político interno. Parlamentares defenderam que a resolução do impasse ocorra dentro da própria Alerj, sem interferências externas.
“O Parlamento é soberano”, disse Anderson Moraes (PL), ao reforçar a independência do Legislativo.
“Um grupo […] vem fazendo um movimento, a todo custo, para dificultar o processo”, afirmou, ao acusar adversários de tentar travar a eleição.
A crise na Alerj evidencia o nível de polarização no Rio de Janeiro e expõe a Casa a um cenário de desgaste público. Entre disputas judiciais, acusações cruzadas e interesses eleitorais, o Legislativo estadual se torna peça central de uma disputa que ultrapassa seus próprios limites.
O episódio reforça que a batalha pelo comando da Alerj não é apenas interna, mas parte de um jogo político mais amplo, com reflexos diretos no cenário eleitoral de 2026 e no equilíbrio entre os poderes.



