Vencedora do Oscar repetiu gesto que lembra foto na Guerra do Vietnã

“Acho essa imagem horrível e o jeito que ela está com os braços estendidos simplesmente me mata. Acho que há algo realmente perturbador nessa postura. Se eu tivesse que apontar, talvez seja de onde vem a semente”, explicou Cregger.” Para


“Acho essa imagem horrível e o jeito que ela está com os braços estendidos simplesmente me mata. Acho que há algo realmente perturbador nessa postura. Se eu tivesse que apontar, talvez seja de onde vem a semente”, explicou Cregger.” Para ele, que nunca esqueceu da imagem, “não havia como duvidar daquela pose. Eu sabia que elas correriam daquele jeito”.

Em seu filme, Cregger mostra alunos de uma mesma sala desaparecendo todas de uma só vez. Elas se levantam de madrugada, no mesmo horário, abrem as portas de casa e correm pelas ruas para nunca mais voltar. Todos fazem o mesmo gesto com os braços. Em busca de explicações e de responsáveis pelo que aconteceu, a cidade passa a investigar o sumiço coletivo. Cada pessoa do seu jeito, cada família com a sua dor.

O horror está no sobrenatural, que ronda a história o tempo todo. Mas também no vazio repentino que brota no coração da comunidade. Na dor e na busca por respostas, os personagens vão às mais dolorosas escolhas e caminhos. A imagem da sala de aula vazia, quando a única criança que não desaparece volta a estudar é perturbadora porque nos coloca frente aos horrores que não pertencem à ficção, mas ao mundo real. Horrores produzidos por pessoas de carne e osso.

Tia Gladys, personagem que deu o Oscar à Amy Madigan, é o nó que conecta todos os pontos da história que surpreende até segundos antes dos créditos finais. Depois da cerimônia de premiação, a atriz de 75 anos afirmou que o cinema de terror é colocado como algo menor pela indústria e pelo próprio público. Não deveria ser assim. São raros os filmes que conseguem se destacar em premiações como aconteceu nessa edição do Oscar.

Amy defendeu que, se bem-feitos, produções como “A Hora do Mal” e “Pecadores”, outro grande vencedor da noite, traduzem questões complexas e dolorosas do mundo. Ajudam a nomear os medos. Quando uma sociedade ainda não consegue elaborar racionalmente seus conflitos, são os filmes de horror que dramatizam essas questões em forma de monstros, invasões, epidemias e demônios. Quem fala disso muito bem é o ótimo República do Medo, podcast que mergulha em filmes, séries e livros do gênero. O episódio 357 é uma aula sobre como, na maioria das vezes, o filme que está na nossa frente é só o começo de uma conversa bem maior.



Conteúdo Original

2026-03-16 20:27:00

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