Durante décadas, o terror ocupou uma posição marginal no Oscar, frequentemente limitado às categorias técnicas e ignorado nas principais disputas. O cenário mudou de forma significativa em 2026, quando o gênero deixou de ser uma exceção rara e passou a ocupar o centro da maior premiação do cinema mundial, consolidando uma virada que vinha sendo construída há anos.
O principal símbolo dessa transformação é Pecadores, dirigido por Ryan Coogler. O épico de vampiros se tornou o filme mais indicado da história do Oscar, com impressionantes 16 indicações. O número superou o recorde anterior de 14 nomeações, alcançado por clássicos como A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016). Mais do que um feito isolado, o resultado mostra que a Academia passou a reconhecer o terror como uma forma legítima de prestígio artístico.
O avanço não se limita a um único título. Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro, também conquistou forte reconhecimento, com nove indicações. Já Amy Madigan recebeu uma indicação a melhor atriz coadjuvante por sua atuação em A Hora do Mal, reforçando uma mudança importante na forma como performances em filmes de terror são avaliadas. Historicamente, atores do gênero foram ignorados, mesmo em trabalhos amplamente elogiados pela crítica.
Essa mudança contrasta com o histórico limitado do terror no Oscar. Ao longo de quase um século, o gênero teve poucos momentos de destaque. O Exorcista (1973) conseguiu 10 indicações, mas venceu apenas duas categorias. O Silêncio dos Inocentes (1991) se tornou uma exceção ainda maior ao vencer os cinco principais prêmios da noite, incluindo melhor filme, diretor, ator e atriz. Ainda assim, o reconhecimento não se traduziu em uma aceitação consistente do gênero nos anos seguintes.
Michael B. Jordan em cena de Pecadores
(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Oscar 2026 consagrou ótimo ano do terror
Nos últimos anos, no entanto, o terror passou a combinar relevância cultural, sucesso comercial e ambição artística. Em 2025, o gênero arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,8 bilhões) nas bilheterias globais, impulsionado por produções como Pecadores e A Hora do Mal. O sucesso financeiro reforçou o interesse da indústria e mostrou que histórias assustadoras também podem ser eventos cinematográficos de grande escala.
Outro fator decisivo foi a transformação interna da própria Academia. Após críticas públicas, a organização convidou milhares de novos membros desde 2015, muitos deles mais jovens e abertos a diferentes gêneros. Esse novo perfil ajudou a reduzir o preconceito histórico contra o terror, permitindo que produções antes ignoradas passassem a competir em igualdade com dramas tradicionais.
Pecadores exemplifica essa nova fase ao unir elementos clássicos do terror com temas históricos e sociais relevantes. Ao explorar o racismo e a experiência negra nos Estados Unidos por meio da mitologia dos vampiros, o filme conseguiu dialogar com questões profundas sem abandonar o apelo popular do gênero. O resultado foi uma obra capaz de conquistar tanto o público quanto os votantes da Academia.
O Oscar 2026 não representa apenas um momento isolado, mas sim a consolidação de uma mudança estrutural. O terror deixou de depender de exceções raras para conquistar reconhecimento e passou a ocupar um espaço central na indústria. Após décadas sendo tratado como um gênero menor, ele finalmente alcançou o prestígio que sempre esteve ao alcance.
Com a cerimônia marcada para 15 de março, Pecadores e o terror podem continuar fazendo história no Oscar 2026. Assista abaixo ao trailer do filme disponível na HBO Max:
Bolão da Tangerina
É hora de transformar o seu conhecimento em filmes em prêmios reais, no Bolão do Oscar 2026 da Tangerina.
2026-02-20 02:45:00



