Mas quantos de nós já vimos o Recife de Kleber nas telas antes? Quantos sabemos da Perna Cabeluda ou das histórias escondidas nos arquivos adulterados do Instituto de Identificação durante a ditadura militar?
Kleber tocou em algo fundamental quando disse que o filme não é sobre memória, mas sobre amnésia. O Brasil tem um caso estranho de amnésia autoaplicada. A gente não conta nossa própria história com a mesma força que Hollywood conta a deles. E aí mora o problema.
Porque quando você não conhece sua história, não pode lutar por ela. Quando você não vê sua cidade nas telas, começa a achar que ela não é digna de ser vista. É assim que os EUA brilham, eles contam suas histórias obsessivamente, repetem suas narrativas até virarem verdade universal em IMAX 3D com som Dolby Atmos pra gente pagar caro pra ver e sair do cinema achando que o nosso é muito pior que aquilo.
E a gente fica aqui achando que nossas histórias não interessam pro mundo. Mentira.
O sucesso de “O Agente Secreto” prova que quando a gente conta com verdade, com raiz, com a sujeira e a beleza da nossa casa, o mundo inteiro para pra ouvir. Recife vira universal. Nossa ditadura vira um espelho pro autoritarismo global. Nossa amnésia vira o sintoma de um mundo que não quer lembrar.
Kleber mandou um recado pros jovens cineastas: contem suas histórias.
2026-01-14 10:22:00



