Eventual aquisição pela Paramount levanta ainda mais pontos de atenção. Para começar, a negociação pode criar gigante do entretenimento – o que pode dificultar a aprovação da aquisição por reguladores -, com possibilidade de afetar preços de serviços e demissões.
Há ainda preocupação de se formar um grupo jornalístico gigante nos EUA. A CNN é da Warner, e a Paramount é dona da CBS News, uma das maiores redes de TV do país e que conta com uma rede de várias operadoras locais. A eventual junção chamaria a atenção de reguladores para o negócio, obrigando a venda de eventuais ativos para que um grupo não monopolize o ramo de notícias.
Operação de compra da Warner pela Paramount tem tudo para ser complexa. Segundo Pedro Teberga, professor e especialista em negócios digitais, apesar de haver sinergias entre Warner e Paramount, há um risco maior que a da Netflix, pois será criado um conglomerado. “A CNN é um ativo estratégico e símbolo do ecossistema de notícias dos EUA, e o país é bem atento a esse tipo de regulação”. Outro ponto é o valor da operação, pois é uma “alavancagem financeira muito alta”
Dono da Paramount é próximos de Trump. O CEO da Paramount Skydance, David Ellison, é amigo de Trump, assim como o seu pai, Larry Ellison, que é fundador da Oracle e um dos financiadores da operação. Nos EUA, há a discussão sobre uma possível ingerência sobre a CNN, que é crítica a Trump, após possível aquisição. A Oracle também é parceira tecnológica do TikTok nos EUA, o que colocaria a família Ellison em posição de destaque como dona de conglomerado de mídia e de tecnologia.
Trump chegou a dizer que via com preocupação a compra da Warner pela Netflix. No ano passado, ele declarou que estaria “envolvido na decisão”, pois a Netflix já possui “uma parceria expressiva do mercado”, o que “poderia ser um problema”.
2026-02-27 13:00:00



