Tudo começou em 2024, com o diretor entrando no conselho de uma empresa chamada Stability AI — que promete criar efeitos visuais a partir de comandos em texto. Depois, em abril do ano passado, Cameron afirmou — em um podcast apresentado pelo diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth — que, com a IA generativa, seria possível diminuir o custo de filmes como “Duna” pela metade.
“Isso não tem a ver com demitir metade da equipe no estúdio de efeitos”, tentou relativizar. “Tem a ver com dobrar a velocidade de finalização para que o ritmo de entrega acelere e o ciclo de produção ganhe mais fluidez — permitindo que os artistas avancem para outros projetos interessantes, e depois para outros, e assim por diante.”
A posição, ainda que cheia de ressalvas, pegou mal entre os pares, que também votam no Oscar. Diante da repercussão negativa e do risco de impacto em suas chances em premiações, James Cameron passou a atuar como uma forte voz contra a tecnologia. Em outubro, disse que “precisamos dos nossos artistas” e comparou o futuro da inteligência artificial com o da franquia “O Exterminador do Futuro”, que ele criou.
Quando “Avatar: Fogo e Cinzas” foi lançado, em dezembro, veio com um aviso: nada de IA foi usada na produção, que teria custado entre US$ 350 e US$ 400 milhões (entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões) — o que o coloca na lista dos mais caros longas-metragens da história.
Como vimos, não foi o suficiente. Nem tudo foi perdido, ao menos: o terceiro “Avatar” conquistou outras duas indicações ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas — de melhor figurino e, obviamente, efeitos especiais.
Pisando em ovos
O episódio ilustra um dilema: parte de Hollywood está cada vez mais reflexiva sobre o uso da tecnologia como possível substituta do trabalho e da criatividade humana, mas também com medo de se comprometer.
2026-02-26 08:25:00



