Por décadas, aceitamos como natural que o mundo seja dividido entre América e Resto do Mundo. Ou Hollywood e o cinema internacional. Aceitamos que a régua universal seja calibrada em inglês.
Wagner não protestou. Não fez discurso. Apenas apontou o óbvio com humor, para nós, “Marty Supreme” e “Wicked” também são estrangeiros. Leonardo DiCaprio é gringo. Timothée Chalamet fala uma língua que não é a nossa.
Essa piada só foi possível porque Wagner estava com a cabeça de pé.
Existe uma diferença enorme entre ir a Hollywood de joelhos, agradecendo a chance de estar ali, e ir de cabeça erguida, sabendo o valor do que você carrega.
Fernanda Torres, Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, Emicida e Liniker no Grammy, não são acidentes. É o Brasil entendendo, finalmente, que não precisamos de validação externa para existir. A validação é consequência, não objetivo. Mesmo que te entreguem seu prêmio de uma maneira bem esdrúxula no meio do tapete vermelho sem nenhum glamour ou aviso prévio. O que não aconteceu com o prêmio de melhor direção de fotografia para o brasileiro Adolpho Veloso, que ganhou bonitão no palco.
Quando você sabe quem é, consegue brincar. Consegue rir. Consegue apontar o espelho para o colonizador sem raiva, apenas com a leveza de quem lembra que existem outros mundos além do seu. E nesses mundos, você é o estrangeiro.
2026-01-05 17:26:00



