O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, enfrentou um longo interrogatório no Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos nesta terça-feira (3). O objetivo? Defender a proposta de compra da Warner Bros. Discovery, por cerca de US$ 83 bilhões (R$ 434 milhões). O negócio, anunciado originalmente em dezembro, transformou-se em um embate regulatório e político, especialmente após a gigante do streaming substituir sua oferta inicial de ações por um pagamento integral em dinheiro para afastar investidas hostis da Paramount Skydance.
Durante o encontro de mais de duas horas, transmitido ao vivo, congressistas expressaram receios sobre o surgimento de um monopólio capaz de asfixiar a produção cultural e o mercado de trabalho em Hollywood. Abaixo, a Tangerina lista os principais pontos tratados durante a audiência:
As promessas de Ted Sarandos
Para reduzir as preocupações de órgãos reguladores e profissionais do setor, o executivo assumiu compromissos formais sobre a preservação de modelos tradicionais de exibição. Sob juramento, Sarandos assegurou que a Netflix manterá uma janela exclusiva de 45 dias para os lançamentos cinematográficos da Warner Bros. nos cinemas antes de disponibilizá-los em seu catálogo digital.
Além disso, ele argumentou que a fusão fortalecerá a indústria dos Estados Unidos, prometendo que as divisões de estúdio adquiridas continuarão operando de maneira independente, sem a intenção de realizar cortes drásticos em setores onde as duas empresas já possuem estruturas semelhantes.
As principais críticas políticas feitas ao acordo
A sessão foi marcada por questionamentos contundentes de ambos os lados do espectro político. Senadores republicanos, como Josh Hawley e Ted Cruz, aproveitaram a oportunidade para atacar o que chamam de agenda ideológica da plataforma, acusando a empresa de promover conteúdos transgêneros voltados para o público infantil. Sarandos insistiu que a Netflix não possui “nenhuma agenda política de qualquer tipo” e que o objetivo é apenas entreter seus clientes.
Por outro lado, senadores democratas, como Cory Booker, concentraram suas críticas na influência do presidente Donald Trump, que teria se reunido com Sarandos e adquirido títulos de dívida da Netflix e da Warner pouco após o anúncio da fusão. O temor central dos críticos é que o tamanho da nova companhia permita um controle excessivo sobre a narrativa cultural e a moralidade pública do país.
Greg Peters, David Zaslav eTed Sarandos no estúdio da Warner Bros., em dezembro
(Foto: Divulgação/Warner Bros. Discovery)
O senador Mike Lee expressou preocupações de que a Netflix pudesse se tornar a “plataforma única para governar todas”, com poder para prejudicar rivais ao reter títulos importantes ou aumentar taxas de licenciamento. Sarandos foi criticado por tentar incluir o YouTube como um concorrente direto, argumento que foi chamado de “absurdo” e sem base na realidade legal por críticos.
Vai aumentar o preço da Netflix? E a HBO Max?
A principal linha de defesa da Netflix está na promessa de que a transação resultará em mais conteúdo por um preço menor para o usuário final. A empresa planeja oferecer pacotes que combinem o seu serviço tradicional com a HBO Max por valores promocionais, forçando rivais como Disney+ e Amazon a manterem suas mensalidades competitivas.
No entanto, alguns legisladores permanecem céticos, lembrando que a plataforma aumentou suas tarifas recentemente. Sarandos rebateu afirmando que o setor de streaming possui baixa fidelidade obrigatória, permitindo que os assinantes cancelem suas contas com apenas um clique caso fiquem insatisfeitos com os valores cobrados.
2026-02-03 19:25:00



