XXXXXXXXXXXXXXXXX
A partir desse encontro, Huston e Aronofsky trabalharam por mais um ano no roteiro para capturar não só a energia certa de seus personagens, mas também o clima de Nova York na época retratada no livro, um momento talvez menos complicado e culturalmente mais rico. “O mundo inteiro era menos complicado”, diverte-se o diretor com um sorriso.
“Eu gosto de imaginar Nova York na virada do milênio como o auge da humanidade”, continua. “Pensa bem, a maior ameaça que o planeta enfrentava era o bug do milênio, e o presidente estava encrendado tão somente com um caso extraconjugal.” Darren lembra que, culturalmente, a atmosfera também era outra: “O punk era grande, o grunge era enorme, o hip hop era um absurdo, a música eletrônica estava despertando. Havia muito potencial e muita esperança paa o novo milênio”.
Curiosamente, para retratar essa época Darren Aronofsky voltou ainda mais ao passado em busca das referências certas. Não somente na arquitetura da cidade, que eles modificaram para as cenas rodadas nas ruas, mas também na “nova Hollwyood” e o cinema mais visceral e cru dos anos 1970. “O grande diretor nova-iorquino Sidney Lumet (que na verdade nasceu na Filadélfia) fez filmes incríveis sobre a cidade, como ‘Um Dia de Cão'”, aponta. “Ele foi o grande patrono de ‘Ladrões’.”
XXXXXXXXXXXXXX
Outra influência, desta vez nada sutil, foi a comédia neo-noir absurdamente sombria “Depois de Horas”, rodada por Martin Scorsese em 1985. “Ladrões” não só emprestou seu senso de caos urbano na geografia do submundo de Nova York, como trouxe também seu protagonista, o grande Griffin Dunne, para um papel-chave. “Em uma coincidência enorme, eu descobri ontem à noite que seu personagem em ‘Depois de Horas’ é chamado Paul, e em nosso filme também é Paul”, diverte-se Aronofsky. “Eu honestamente nunca havia me dado conta.”
2025-08-29 02:05:00