A denúncia do produtor brasileiro Gabriel Silveira contra um hotel em Albufeira, no Algarve, serve de alerta para quem ainda trata Portugal como destino automático de férias. Jurado do Grammy Latino e morador da Flórida, Gabriel afirma ter sido ameaçado, insultado e alvo de xenofobia durante viagem com a família. Ele formalizou queixa ao Turismo de Portugal, órgão ligado a um setor que representa cerca de 14% do PIB do país. As informações são do O Globo.
O caso teria ocorrido no dia 10 de junho, feriado do Dia de Portugal. Segundo Gabriel, a confusão começou após ele perceber que a porta de um carro estava encostada no veículo alugado por sua família. Ele tirou uma foto à distância, verificou que não havia dano e seguiu para o saguão do hotel.
Foi ali, segundo o produtor, que começou o ataque.
“Eu sou dono do hotel, você vai precisar tomar muito cuidado aqui”, teria dito o homem, de acordo com Gabriel.
O brasileiro afirma que questionou a ameaça: “Você é dono e ameaça um hóspede?”. A resposta, segundo ele, virou ofensa xenofóbica.
“Volte para a sua terra! Você é brasileiro, então você é ladrão! Volte para o seu país!”, teria dito o agressor.
Gabriel afirma que a gerente do hotel presenciou o episódio, mas não interveio. Segundo ele, ao ser questionada sobre a identidade do homem, ela se recusou a responder.
O produtor também relatou tentativa de agressão física. “Veio na minha direção e me empurrou. Dei um passo para o lado e exigi em voz alta: ‘Não encoste em mim’. Ele retrucou dizendo ‘encosto sim’ e tentou chutar a minha perna”, contou.
Gabriel disse que acionou a polícia e relatou as ameaças, mas a viatura não apareceu. Segundo ele, a gerente ainda teria dito: “A polícia nunca vem. Vou embora e o senhor resolva com a polícia”.
Para quem viaja com família, a cena é o tipo de pesadelo que transforma férias em teste de resistência. Gabriel estava acompanhado de parentes e afirma que não recebeu suporte adequado, pedido de desculpas ou auxílio imediato.
“O que enfrentei foi pura xenofobia, tentativa de agressão, omissão de socorro e descaso total das autoridades locais”, afirmou.
A plataforma responsável pela reserva recusou trocar a hospedagem da família, mas reembolsou parte das diárias entre os dias 10 e 12 de junho. Segundo Gabriel, não houve “qualquer suporte adicional de segurança ou amparo logístico” após o episódio.
A família permaneceu no hotel porque não queria pagar “uma fortuna” por outra acomodação de última hora, com preços inflacionados e sem reserva. Mesmo assim, o clima já estava destruído.
“Voltava ao hotel só para dormir e porque meus sogros estavam no quarto ao lado, mas passando a noite acordado dentro do quarto com medo. A primeira noite foi péssima”, disse.
Em outro trecho, Gabriel resumiu o tamanho do constrangimento: “Imagina estar em um lugar que não conhece, ter alguém mandando tomar cuidado e se identificando como dono do hotel?”.
A rede hoteleira enviou mensagem por rede social dizendo que lamentava a situação e que apuraria internamente. Procurados, o Turismo de Portugal e o hotel não responderam. O espaço segue aberto.
Portugal vive do turismo, vende hospitalidade e recebe milhares de brasileiros todos os anos. Mas caso como esse deixa uma pergunta simples para quem está planejando férias: por que gastar dinheiro em um lugar onde um brasileiro pode sair humilhado, ameaçado e sem apoio?



