Os advogados do motorista Antônio Pereira do Nascimento entraram com um pedido de esclarecimento sobre a última decisão da Justiça, que dispensou testemunhas do caso. Em 2023, ele ficou milionário por cerca de sete horas após receber, por engano, uma transferência de R$ 131.870.227 e devolver o valor. No ano seguinte, entrou com uma ação contra o banco pedindo direito à recompensa e indenização por danos morais.
O caso tramita na 6ª Vara Cível de Palmas, no Tocantins. Em março deste ano, o juiz Lauro Augusto Moreira Maia entendeu que não havia necessidade de ouvir as testemunhas indicadas pelo motorista e pela defesa do banco, afirmando ser cabível o julgamento antecipado da ação.
Com isso, a próxima etapa deve ser a sentença.
A defesa de Antônio, porém, apresentou embargos de declaração, instrumento usado para pedir esclarecimento, correção ou complementação de uma decisão judicial quando há omissão, contradição ou obscuridade. Segundo o Tribunal de Justiça do Tocantins, o pedido ainda está em análise e dentro do prazo legal.
O motorista entrou na Justiça em julho de 2024 cobrando R$ 13.187.022 pelo direito de recompensa, além de R$ 150 mil por danos morais.
No processo, os advogados afirmam que ele teria sofrido “pressão psicológica” do gerente da agência para devolver o dinheiro. A defesa também alegou que pessoas estariam na porta da casa de Antônio aguardando a devolução do valor.
Por causa da repercussão do caso, os advogados dizem ainda que o motorista sofreu assédio da imprensa, abalos emocionais e constrangimentos.
O Banco Bradesco informou que não comenta casos em análise na Justiça.
Antônio é pai de quatro filhos e avô de 14 netos. Quando percebeu a quantia milionária na conta, procurou a instituição para devolver o dinheiro. Na época, comentou a situação com bom humor.
“Nunca vi um dinheiro desse na minha vida e não consigo nunca na minha vida, só se ganhar na Mega-Sena, e jogar eu não jogo. Então é difícil”, disse.
A história ganhou repercussão nacional e levou Antônio ao quadro “Acredite Em Quem Quiser”, do programa Domingão, apresentado por Luciano Huck, em agosto de 2023.
Agora, quase três anos depois da transferência errada, o caso se aproxima de uma decisão. A sentença será proferida após a análise dos embargos apresentados pela defesa.



