Reviver Centro: apenas cinco anos separam a ideia no papel da real transformação social e urbana

A empresária Rosana Cordeiro Coelho, de 38 anos, costuma acordar às 7h. Ela desce para a academia, treina entre 40 minutos e uma hora, e sobe de novo. Deixa a cafeteira funcionando e vai tomar um banho. Precisa chegar ao


A empresária Rosana Cordeiro Coelho, de 38 anos, costuma acordar às 7h. Ela desce para a academia, treina entre 40 minutos e uma hora, e sobe de novo. Deixa a cafeteira funcionando e vai tomar um banho. Precisa chegar ao trabalho no Porto Maravilha às 9h. Sempre chega um pouco antes, porque precisa de cinco minutos, até menos, para pegar o VLT e outros dez para estar no trabalho.

Líder de uma equipe de corretores de imóveis, José Roberto Levy Chahon, de 72 anos, vendeu o carro. Não precisa mais dele. Vai andando para o trabalho e leva cinco minutos.

A bancária aposentada Maria Cascon de Souza, de 70 anos, não vê a hora de se mudar. Vai morar porta com porta com o filho num prédio novinho.

O que eles três em comum? Suas rotinas e histórias se encontram na área central da cidade, que recebeu milhares de pessoas e espera ainda mais gente. O movimento começou em 2021, com o projeto Reviver Centro, que revitaliza imóveis e áreas inteiras com o objetivo de incentivar pessoas a morar na região.

Presidente da Câmara Municipal diz que objetivo é “devolver vida ao Centro”

Presidente da Câmara Municipal do Rio, o vereador Carlo Caiado (PSD) destaca a transformação:

“Quem vive o Centro no dia a dia já percebe a diferença. A região está voltando a ser ocupada,
são vários os empreendimentos sendo construídos, e a tendência é clara: mais moradia, mais
opções de lazer, mais segurança e uma economia mais forte. O Centro está retomando o
protagonismo que sempre teve na cidade, também como opção de lazer e moradia.”

Caiado diz que muito já foi feito e mais vai acontecer e lista todos os avanços na região:

“A Câmara teve um papel decisivo na revitalização do Centro, aprovando e aprimorando
projetos como o Reviver Centro, com mais de 7,6 mil novas unidades residenciais licenciadas,
e o Porto Maravilha, que já estão trazendo moradia, movimento e novos investimentos para a
região. Também avançamos em iniciativas como a Rua da Cerveja, que no ano passado
vendeu mais de 300 mil chopes, o Quadrilátero Cultural da Cinelândia, que criamos para
proteger e preservar essa região, e a lei dos imóveis abandonados, que permite ao poder
público agir antes que tragédias aconteçam. Agora, seguimos debatendo novos projetos, como
o Praça Onze Maravilha, que vai revitalizar e otimizar a região do Sambódromo, além de
reforçar a segurança com a atuação da Guarda Municipal armada. O caminho é esse:
recuperar espaços, atrair gente e devolver vida ao Centro.”

Secretário Municipal de Desenvolvimento e Licenciamento (SMDU) do município do Rio, Gustavo Guerrante diz que, desde a criação do Reviver Centro, em julho de 2021, já foram emitidas 71 licenças que representam 7.664 unidades residenciais e 82 não-residenciais, referentes a 443 mil m² de área construída.

“É a consolidação da vocação residencial do Centro. O Reviver Centro não é apenas um projeto de reforma urbana, mas uma mudança de paradigma. Em cinco anos, conseguimos reverter a lógica de região exclusivamente comercial para um bairro vibrante e habitado. O carioca quer morar perto do trabalho, evitar o trânsito e viver a efervescência cultural da região”, afirma Guerrante, que destaca recorde de licenciamentos em 2025 (3.298 unidades e 22 licenças e mais de 194 mil m² de área construída).

A “Cidade de 15 minutos” e um novo conceito de viver nas grandes metrópoles

Rosana conta que, inicialmente, comprou dois imóveis num prédio novo na Avenida Presidente Vargas com a intenção de investir. Alugar para temporada era uma possibilidade mas, por causa do trabalho, descobriu, ou melhor, redescobriu o Centro da cidade. E não quer outra vida.

“Aqui eu tenho vista para o Cristo Redentor. É a nossa Torre Eiffel. Também vejo a Baía de Guanabara. Moro onde as pessoas vêm para tirar férias”, empolga-se ela, que curte também as facilidades locais: “carro de aplicativo chega em cinco minutos. Sempre estão rodando por aqui. Entrega de comida leva 20 minutos, meia hora. E tem muitas opções. Mexicana, italiana, chinesa, japonesa. O que você imaginar”.

Não bastasse tudo isso, o Sambódromo, onde acontece o maior espetáculo da terra, fica a dez minutos de caminhada. E se quiser ir mais longe? Tem o metrô, que fica a exatamente 19 passos da portaria do prédio de Rosana. As definições de estação na porta de casa foram atualizadas.

Guerrante está atento a esse tipo de detalhes. Inclusive destaca essa vida integrada que está sendo oferecida aos moradores do Centro, os atuais e os novos.

“Já ouviu falar no conceito da ‘cidade de 15 minutos’? É o que queremos consolidar no coração do Rio. Essa ideia, propagada pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno, professor da Universidade Sorbonne, em Paris, pressupõe áreas em que o morador possa trabalhar, estudar e se divertir sem depender de longos deslocamentos, utilizando a infraestrutura de transporte já instalada”, explica o secretário.

José Roberto morava em Ipanema e se mudou para o Centro há um ano. Juntou o útil ao agradável. Ele vende apartamentos num empreendimento próximo. Sabe muito bem o que está oferecendo aos clientes. Não precisa nem mais da vaga da garagem que tem. Quando quer viajar, aluga um carro. Para rodar na cidade, aplicativo ou transporte público.

De Ipanema para a ‘Vieira Souto do Centro’

Há ainda o componente afetivo. O prédio onde mora foi construído num terreno onde havia uma casa que pertencia a seu avô, na rua Nossa Senhora de Fátima, no Bairro de Fátima. A mãe herdou um apartamento no local. José Roberto comprou a parte dos irmãos e alugava o imóvel. Até que resolveu morar lá. Em breve, outro empreendimento do Reviver Centro será erguido na mesma rua.

José Roberto diz que agora está morando na “Vieira Souto” do Centro e leva cinco minutos de casa ao trabalho – foto: arquivo pessoal

“Gastava cerca de R$ 4 mil com impostos e taxas em Ipanema. E nem ia à praia. Agora, gasto pouco mais de R$ 1 mil e tenho inúmeras opções de mercado, farmácia, diversão”, conta ele, que vendeu o apartamento em Ipanema e chama o local onde mora de “Vieira Souto do Centro”.

Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin destaca que o Reviver Centro “criou uma nova fronteira de crescimento do mercado.

“Praticamente não havia projetos. Antes, o foco estava na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e em Jacarepaguá”, explica Claudio, ressaltando que apenas esta fase de novas construções gerou sete mil empregos diretos e 21 mil indiretos na região do Centro.

Gustavo Guerrante também tem um apego sentimental, paralelo ao profissional, pelo Reviver Centro:

“Como carioca criado em Santa Teresa, vizinho de porta, vejo esse momento com uma satistação que une o profissional e o pessoal. Ver o Centro — que por anos sofreu com o esvaziamento — retomar seu protagonismo com 7.664 unidades residenciais licenciadas é confirmar um projeto de cidade mais humana e sustentável”, diz.

O secretário também costuma contar uma história da própria família, quando, há mais de vinte anos, surgiu a primeira tentativa de atrair moradores para a Lapa.

“Gosto de compartilhar uma história pessoa,l que ilustra bem essa mudança de visão. No início dos anos 2000, quando houve o lançamento do empreendimento Cores da Lapa, minha irmã me perguntou se seria um bom investimento. Na época, eu respondi categoricamente que não, que ela estava ‘louca’ de pensar em morar ali. Errei feio. Até hoje ela não me perdoou, porque o projeto foi um sucesso absoluto de vendas e a área se valorizou enormemente com a revitalização da Lapa.”

Leonardo Mesquita, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), afirma que o Reviver Centro foi um grande divisor de águas na cidade. Ele destaca que houve a transferência de potencial econômico para a área, utilizando muitas vezes áreas que estavam praticamente ou totalmente abandonadas.

“Reocupar o Centro é quase que como pagar uma dívida histórica com a cidade. E o público que está se deslocando para lá realmente circula na área, utiliza serviços. A classe média não tem ainda a dimensão da oferta de infraestrutura, cultura, diversão que há no Centro. Morar em um lugar assim é o grande diferencial do futuro”, prevê Leonardo, que aposta num crescimento cada vez maior na área nos próximos anos.

Família mais uma vez reunida pelo desejo de viver novos ares na cidade

Quase vizinha de José Roberto, Márcia não vê a hora de se mudar para a mesma rua. Prestes a se mudar, atualmente, mora em Todos os Santos e disse que quer fugir da violência e do isolamento do bairro da Zona Norte. Seu filho já havia comprado um apartamento no Centro. Adorou e incentivou a mãe ainvestir na área central também. Ela comprou inicialmente um imóvel de um quarto. Acabou resolvendo investir em outro, de dois, por causa da cachorrinha que adotou. Seu filho se animou com o empreendimento, vendeu o que tinha comprado e comprou outro no mesmo andar que ela. A família estará mais do que reunida em breve.

Márcia vai ter dança de salão perto de casa e ainda mais espaço para sua cachorrinha – foto: arquivo pessoal

“Aqui tem tudo, gente na rua toda hora. Gosto de frequentar meu barzinho, amo dança de salão, e no Centro tem muitas opções, inclusive durante o dia”, comemora Márcia.

Rosana comemora a implementação do Reviver Centro e diz que o projeto vai transformar o Rio numa das maiores metrópoles do mundo. Ela, que conhece países da Europa e da América do Sul, não tem dúvidas sobre o potencial da área central da cidade.

Opções culturais vão de John Malkovich a Carlos Malta, unindo música, cinema e teatro

E tem razão. Não bastassem o agito das rodas de samba, dos botequins, de restaurantes tradicionais, há ainda uma oferta de cultura gigante. Nos próximos dias, por exemplo, tem “John Malkovich in The Infamous Ramirez Hoffman” (29/03), num espetáculo que mistura música e literatura, no Theatro Municipal do Rio. Se você prefere dança, acontece de 26 a 29 o espetáculo “Como água”, do grupo Primeiro Ato, no Teatro Carlos Gomes. Já no Teatro Rival Petrobras, dia 26, tem show do músico Carlos Malta, que apresenta “O escultor do vento”. Um cineminha? Então que tal o Cine Odeon? Como diz o jargão, sempre um sucesso perto de você.



Com informações da fonte
https://boletimrj.com.br/reviver-centro-apenas-cinco-anos-separam-a-ideia-no-papel-da-real-transformacao-social-e-urbana/

Posts Recentes

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE