Mesmo assim, este respiro não parece abalar a disputa cabeça a cabeça entre “Valor Sentimental” e nosso “O Agente Secreto”. Vamos lá, o trabalho de Joachim Trier é uma obra belíssima sobre relações familiar intrincadas, com grandes atuações em um texto sensível, que chega na festa disputando nove Oscar. Não é pouco. Mas, sejamos honestos, a pirraça promovida por Kleber Mendonça Filho é mais vibrante e mais envolvente – o que parece se refletir na reação de crítica e público (muitos votantes ente ele) nos EUA. Esse caneco é nosso!
Já um Oscar para Wagner Moura tem o meio de campo muito mais embolado. Antes de mais nada, a real: entre os cinco indicados, o baiano tem, de longe, a interpretação mais complexa, mais calibrada e mais natural. Ele É o melhor ator no grupo. Mas Oscar é essa coisa que desafia a lógica. Até anteontem Timothée Chalamet era o favorito absoluto por “Marty Supreme”. Daí o moço faz uma campanha que beira a completa arrogância, o filme desidratou e Michael B. Jordan tomou a dianteira nas bolsas de apostas, especialmente após sua vitória no SAG. Parece difícil mudar o resultado – espero demais estar errado!
FAZENDO O BOLÃO
Os prêmios mais técnicos, por outro lado, parecem ter dono há tempos. A farra visual de “Frankenstein” parece lhe garantir louros em maquiagem, figurino e direção de arte. O trabalho complexo de reproduzir e equilibrar o ruído emocionante das pistas aponta “F1” ganhando na categoria Melhor Som (“Sirát” é estrondoso, mas não chega lá). Pensar em qualquer outro filme além de “Avatar: Fogo e Cinzas” como efeitos visuais é uma piada ruim – a categoria este ano deveria ser hors-concours.
A novidade em 2026 é o Oscar para Melhor Produção de Elenco (ou Direção de Elenco). Aviso: o prêmio aqui não é para o melhor elenco, para o coletivos dos intérpretes, e sim para o profissional (o casting director) que constrói o melhor mosaico de intérpretes e personagens para ajudar a dar vida a uma história. As conexões sociais, raciais e vampíricas de “Pecadores” faz a balança inclinar para seu lado. Mas, honestamente? Nenhum dos indicados teve elenco tão azeitado, eclético, alinhado e memorável como “O Agente Secreto”. Quero ver o Gabriel Domingues no palco do Dolby Theater, vai que…
Agora, então, resta-nos torcer. No listão a seguir coloco minhas previsões para os resultados do Oscar, com os prováveis vencedores. Nessas horas a gente deixa de lado as estatísticas, as conjecturas, as possibilidades e crava com o instinto – mesmo que o coração ufanista torça para estar errado em algumas apostas. Não é, afinal, uma competição, e sim uma celebração. Ou como o próprio Wagner Moura já comentou: “Agora é hora de ser divertir!”.
2026-03-14 06:00:00



