Caso Marielle: STF começa a julgar acusados de ordenar e planejar execução da vereadora

Começou, na manhã desta terça-feira (24), o julgamento do processo penal contra os acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco (PSOL). Na ação, ocorrida em março de 2018 na cidade do Rio de Janeiro — que deu origem a


Começou, na manhã desta terça-feira (24), o julgamento do processo penal contra os acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco (PSOL). Na ação, ocorrida em março de 2018 na cidade do Rio de Janeiro — que deu origem a uma investigação que atravessou diferentes instâncias da Justiça e, oito anos depois, chega à Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) — também foi assassinado o motorista Anderson Gomes.

São réus no processo: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, também conhecido como “Peixe”. Eles respondem por homicídio qualificado.

Até o momento, três participantes do crime contra a vereadora carioca cumprem pena presos. São eles: o comerciante Edilson Barbosa dos Santos — conhecido como Orelha — e os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz.

Em sessão presencial, o julgamento — visto por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma oportunidade para colocar a Corte num tema que tem apoio popular e aliviar o “clima de crise” dentro do tribunal — ocorre na sala da Primeira Turma. A primeira sessão começou às 9h, mas a análise prossegue em outra sessão, às 14h, ainda nesta terça (24).

O julgamento foi interrompido para almoço e será retomado às 13h30.

Rito do julgamento e possíveis decisões

O rito de julgamento segue as normas do Regimento Interno da Corte, tendo início com o relator — ministro Alexandre de Moraes — que apresenta o relatório, um resumo com os principais andamentos do caso. Em seguida, a acusação faz sua exposição, com prazo de uma hora — segundo as regras internas.

As defesas terão uma hora para apresentar seus argumentos, mas o prazo — assim como da acusação — pode ser modificado pelo comando do colegiado.

Seguindo o rito, assim que forem encerrados os debates, os ministros passam a deliberar, apresentando seus votos. A decisão de condenação ou absolvição é por maioria da Turma — ou seja, por pelo menos três ministros.

Segundo o ministro Flávio Dino, a primeira sessão do julgamento, na manhã desta terça (24), deve ser dedicada às manifestações da acusação. Já no período da tarde, a expectativa é que ocorram as sustentações orais das defesas dos réus. Assim, os votos que podem levar à condenação dos acusados devem começar a ser proferidos apenas a partir desta quarta-feira (25).

Os ministros vão decidir pela condenação ou absolvição dos réus. Em caso de condenação, serão fixadas as penas de cada um, de acordo com o grau de culpa. Mas, se houver absolvição, o caso é arquivado.

Em ambas as situações, cabem recursos na própria Corte.

Família de Marielle acompanha o julgamento do caso

A família da vereadora Marielle Franco (PSOL) acompanha, presencialmente, o julgamento dos acusados de mandar matar a parlamentar e o motorista Anderson Gomes. Estão presentes o pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, a mãe, Marinete da Silva; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle; Luyara Santos, filha de Marielle e a esposa de Anderson Gomes, Agatha Arnaus.

Família de Marielle acompanha o julgamento do caso — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Em entrevista coletiva antes do início da sessão, Anielle afirmou que o julgamento representa não apenas um passo para a família, mas também um marco para a democracia.

“Essa resposta também, que pode sair daqui hoje ou amanhã, é para a democracia, não uma resposta só pela Mari, e pela minha família, pela família do Anderson […], para que fique exemplo de que nenhum crime pode ficar impune”, declarou a ministra.

Antônio Francisco da Silva Neto afirmou confiar no julgamento, enquanto Marinete da Silva disse que o momento é difícil, mas necessário.

O que diz a Procuradoria-Geral da República

Segundo a PGR, autora da denúncia, “os crimes foram praticados mediante promessa de recompensa e por motivo torpe, com o emprego de recurso que dificultou a defesa dos ofendidos e por meio de que resultou perigo comum, circunstâncias que eram de conhecimento de todos os coautores e partícipes”.

Além da condenação pelos crimes, a PGR quer a perda de cargos públicos e a fixação de um valor de indenização.

Segundo o vice-procurador Hindemburgo Chateaubriand Filho, a denúncia e as alegações finais da PGR contra os réus não são amparadas somente sobre a delação do executor do crime, Ronnie Lessa.

“Tudo está corroborado por fartos documentos e extensas declarações de testemunhas colhidas […] Há um quadro probatório extenso e robusto”, afirmou o vice-procurador, que se manifestou durante o julgamento no STF alegando que, a princípio, os mandantes consideraram a execução do deputado estadual Marcelo Freixo, mas o atirador Ronnie Lessa dissuadiu o grupo, alegando dificuldades para realizar o crime. Ainda de acordo com o vice-procurador, Marielle tornou-se um “alvo alternativo” do grupo.

vice procurador da republica
Vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho realizou leitura da manifestação da acusação — Foto: Gustavo Moreno/STF

Na leitura da manifestação da acusação, Hindemburgo ainda afirmou que as reuniões realizadas por Marielle com moradores da Zona Oeste foram citadas em depoimentos ao longo da ação penal e que a escolha pelo homicídio ocorreu depois que o grupo estava “farto dos confrontos com o Psol e das intervenções da vereadora”.

A defesa dos réus, por sua vez, argumenta que a acusação se baseia essencialmente na delação e pede a absolvição por insuficiência de provas.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/caso-marielle-stf-comeca-a-julgar-acusados-de-ordenar-e-planejar-execucao-da-vereadora/

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