O filho mais novo do cineasta americano Rob Reiner se declarou inocente do assassinato de seus pais ao comparecer nesta segunda-feira (23) perante um tribunal de Los Angeles. Nick Reiner, de 32 anos, enfrenta duas acusações de homicídio em primeiro grau pelo duplo assassinato que chocou Hollywood poucos dias antes do Natal.
O jovem foi preso em 14 de dezembro, horas depois de que seu pai, de 78 anos, e sua mãe, a fotógrafa Michele Singer Reiner, de 70, fossem encontrados mortos em sua casa no luxuoso bairro de Brentwood, em Los Angeles.
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Nick Reiner recebeu, em 16 de dezembro, duas acusações de homicídio e permanece detido sem direito a fiança desde então. O suspeito de parricídio comparecerá ao tribunal em 29 de abril, quando está previsto que seja decidida a data da audiência que determinará se há provas suficientes para que enfrente julgamento.
Ele enfrenta agravantes pelo uso de uma faca, uma arma letal, e por se tratar de mais de um homicídio. Se for declarado culpado, Nick Reiner poderá enfrentar prisão perpétua sem direito à liberdade condicional ou a pena de morte.
Mas a Promotoria de Los Angeles ainda não se pronunciou sobre qual punição buscará no caso. Nesta segunda-feira, o titular do órgão, Nathan Hochman, disse à imprensa que estudará as circunstâncias do caso antes de se manifestar a respeito.
A trajetória de Nick Reiner perante a Justiça desde sua detenção enfrentou vários adiamentos. Sua primeira audiência, em dezembro, foi adiada a pedido de seu então advogado, Alan Jackson. Em 7 de janeiro, quando deveria ocorrer a nova audiência, Jackson, um conhecido litigante que já atuou em casos de figuras como Harvey Weinstein, abandonou o caso e alegou estar impossibilitado de oferecer explicações.
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“Circunstâncias que escapam ao nosso controle, mas, mais importante ainda, que escapam ao controle de Nick, determinaram que, infelizmente, é impossível para nós continuar com sua representação”, disse então Jackson aos jornalistas.
O tribunal designou Kimberly Greene, uma advogada da defensoria pública, como estabelece a lei americana quando o acusado não dispõe de recursos para sua defesa. Greene solicitou o adiamento da ida de Reiner para responder às acusações, a fim de conversar de forma aprofundada com seu cliente.
Rob e Michele Reiner foram encontrados mortos por sua filha, Romy, que chamou a polícia. Segundo a imprensa local, ela teria advertido sobre Nick, que possuía um histórico de dependência química e um comportamento errático, o qual se intensificou dias antes da morte do casal.
Romy e seu outro irmão, Jake, descreveram a morte dos pais como “devastadora”. Rob também tinha uma filha adotiva, de seu primeiro casamento.
Nick, que vivia de forma intermitente com os pais, falava abertamente sobre a longa batalha que travava desde a adolescência contra a dependência química. Inspirado em sua própria experiência, ajudou a escrever o filme “Being Charlie” (2015), dirigido por seu pai, que narra a recuperação difícil de um filho de celebridades devastado pelas drogas.
Rob, filho do comediante Carl Reiner, ganhou fama como ator na série de TV dos anos 1970 “Tudo em Família”, antes de se tornar um diretor renomado, com 23 filmes em seu currículo. Uma de suas obras mais memoráveis é a comédia romântica “Harry e Sally – Feitos um Para o Outro” (1989), estrelada por Billy Crystal e Meg Ryan.



