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Em sua colaboração premiada, homologada pelo STF, o ex-sargento acusou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão — conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e ex-deputado federal, respectivamente— de serem os mandantes. Segundo ele, a moeda de troca no pacto para matar Marielle seriam as terras e o direito de explorar serviços no local — o que lhe permitiria concretizar o projeto de formar milícia própria. À época das supostas tratativas descritas na delação, a Grande Jacarepaguá era praticamente dominada por milicianos. Mas hoje, após anos de guerra, o tráfico controla todo o território e explora serviços.
Comandante Luís Souto é também o nome da comunidade que, segundo moradores, era forte reduto eleitoral dos Brazão. Um dos motivos: a existência do haras da família no entroncamento com a Rua da Chácara.
— Os Brazão estão aqui há mais de 30 anos. Além dos cavalos de raça, os rodeios atraíam muita gente e acabavam sendo diversão para todos — relata um morador.
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O GLOBO visitou o haras, hoje praticamente abandonado. A área é tomada pelo mato. Estábulos sem portões estão sem uso, e uma construção maior, onde ocorreriam festas, está em ruínas. Ainda assim, mesmo sob o controle do CV, ninguém invade o espaço.
A defesa de Chiquinho afirma que o imóvel pertence atualmente à ex-mulher do réu e que o haras está desativado desde 1999. Segundo o advogado Cleber Lopes, os terrenos que o delator aponta como recompensa ficam em área de proteção ambiental, o que coloca em dúvida a viabilidade da proposta.
— Às vezes aparece uma mulher que foi assistente social do Hospital Colônia Curupaiti, que, segundo dizem, é da família. Ela passa para olhar, mas ninguém mexe em nada — diz outro morador.
No julgamento, além dos irmãos Brazão, também estará no banco dos réus o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, apontado como “mentor intelectual” do crime. O major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, ex-chefe da milícia da Muzema, também responde por homicídio e tentativa de homicídio, acusado de monitorar a parlamentar. Outro réu é o ex-assessor de Domingos, Robson Calixto da Fonseca, o Peixe, denunciado por associação criminosa ao lado dos irmãos. Segundo o acordo firmado com a Justiça, Robson teria fornecido a arma do crime, enquanto Ronald teria monitorado a vítima. Os cinco estão presos.
Relembre caso Marielle Franco em imagens
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Eleita vereadora do Rio em 2016, com 46 mil votos (5ª candidata mais votada), Marielle Franco (PSOL) teve o mandato interrompido por 13 tiros na noite de 14 de março de 2018, num atentado que vitimou também seu motorista Anderson Gomes — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
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Marielle dedicou seu mandato à luta em defesa dos direitos humanos, das mulheres e de negros e moradores de favelas — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O GLOBO
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Nascida e criada na Maré, Marielle estudou Sociologia na PUC, com bolsa integral, e fez mestrado na UFF — Foto: Marcos de Paula/Agência O Globo
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Horas antes do assassinato, Marielle havia participado de uma roda de conversa com mulheres no local conhecido como Casa das Pretas, na rua dos Inválidos, na Lapa Foto: Divulgação/PSOL — Foto: Divulgação/PSOL
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A chegada dos caixões de Marielle e Anderson à Câmara de Vereadores do Rio no velório que marcou o início de inúmeras manifestações populares que passaram a ocorrer no Rio e no mundo por conta da morte da parlamentar — Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo
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Marielle e sua equipe deixaram o local na Lapa por volta das 21h e foram seguidos até o Estácio e assassinados — Foto: Reprodução
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Rua Joaquim Palhares, no Estácio, próximo à Prefeitura do Rio, foi o local onde carro de Marielle foi alvo de 13 disparos — Foto: Reprodução
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A cada mês, novas manifestações marcavam a cobrança por celeridade nas investigações. A foto mostra voluntários da Anistia Internacional em um desses atos, quando o crime completou três meses — Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo
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Então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann foi autor de uma série de afirmações sobre as investigações que nunca se confirmaram e promessas não cumpridas sobre a resolução — Foto: Jorge William/Agência O Globo
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O crime aconteceu sob intervenção federal no Rio, comandada pelo general Braga Netto, que prometeu resolução para o fim do ano de 2018 — Foto: Armando Paiva/Raw Image
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Rivaldo Barbosa, então chefe da Polícia Civil do Rio, repetiu a promessa em 1º de novembro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
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O então governador Witzel (à dir.) também prometeu resolução em janeiro 2019. Não cumpriu e foi afastado por corrupção em 2020 — Foto: Reprodução
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Vereador Marcelo Siciliano se tornou suspeito em maio de 2018 depois de depoimento de testemunha à polícia — Foto: Carolina Heringer/Agência O Globo
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Ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, também foi apontado por testemunha como um dos mandantes — Foto: Reprodução
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Uma segunda linha de investigação surgiu em agosto: algum tipo de vingança pelos 11 anos como assessora de Marcelo Freixo (PSOL), que enfrentou as milícias na Alerj — Foto: Reprodução
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A nova linha de investigação levou os deputados estaduais do MDB Jorge Picciani (foto), Paulo Melo e Edson Albertassi, adversários políticos de Freixo, a serem investigados — Foto: Márcio Alves/Agência O Globo
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Também em agosto foi divulgada a descoberta do Escritório do Crime: um grupo de matadores de aluguel formado por policiais e ex-policiais milicianos — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo
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Em janeiro, laços do clã Bolsonaro com Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como fundador do Escritório do Crime, vieram à tona — Foto: Ascom/ TSE
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Marcada com o número 1, a casa 58 pertence a Jair Bolsonaro, no Vivendas da Barra; o imóvel fica perto da casa 66, marcada com o 2, de Ronnie Lessa. O outro suspeito do crime disse que iria à casa de Bolsonaro — Foto: Arquivo O Globo
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Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e suspeito de integrar milícia que matou Marielle Franco — Foto: Reprodução
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Depois de ter nome ligado à família Bolsonaro, o ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto a tiros na Bahia — Foto: Reprodução
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Leonardo Gouvea da Silva , o Mad, é substituto do Adriano Magalhães da Nóbrega à frente da organização criminosa de assassinos de aluguel, ligada à execução da vereadora Marielle Franco — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo/30-06-2020
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Suel, sargento do Corpo de Bombeiros, de 44 anos, teria cedido carro para esconder armas de Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco. De acordo com os investigadores, coube ao bombeiro ajudar, logo após a prisão do sargento, no descarte das armas escondidas por Lessa Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo – 10/06/2020 — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo/10-06-2020
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O sargento reformado Ronnie Lessa é apontado como o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes — Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo
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Prisão de Elaine de Figueiredo Lessa (centro), a esposa de Ronnie Lessa — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
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Áudio mostra que Ronnie Lessa liberou a entrada de Élcio de Queiroz (foto) em condomínio de Bolsonaro no dia do assassinato — Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo
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Na Operação Lume, também foi preso Alexandre Motta, solto posteriormente pela Justiça — Foto: Márcio Alves/Agência O Globo
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Na casa de Alexandre, foram apreendidos 117 fuzis desmontados que ele disse guardar a pedido do amigo Ronnie Lessa — Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo
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sargento PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, foi preso na Operação Entourage. Ele é apontado pela Polícia Federal como o responsável por atrapalhar a investigação — Foto: Reprodução
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Major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos cinco presos da operação Intocáveis. A polícia considera a prisão do miliciano envolvido com grilagens estratégica para a investigação — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
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Marcello Siciliano se tornou suspeito em maio de 2018 depois de depoimento de testemunha, que seria contestado, à polícia — Foto: Agência Brasil
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Disputa por pontos políticos estaria por trás da suspeita de um possível envolvimento do conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
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Bicheiro Rogério Andrade passou a integrar o rol em razão de sua ligação com Lessa — Foto: Reprodução/TV Globo
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Familiares de Marielle Franco chegam ao Ministério Público para coletiva sobre a prisão dos executores da vereadora e do motorista Anderson Gomes — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
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Desde sua morte, Marielle se tornou símbolo de muitas manifestações políticas e culturais — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
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Mônica Benício, viúva da vereadora assassinada, diz não ter dúvida de que a morte de Marielle teve motivação política — Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
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Evento tem bandeiras com a inscrição “Fora, Bolsonaro” e com o rosto da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 no Rio de Janeiro — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
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Estátua da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, é inaugurada no Centro do Rio — Foto: Brenno Carvalho
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Manifestante posa em frente a cartaz para cobrar uma resposta da Justiça — Foto: Roberto Moreyra/Agência O Globo
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Desde sua morte, Marielle se tornou símbolo de muitas manifestações políticas e culturais, como o marcante enredo da Mangueira, campeã de 2019 — Foto: Antonio Scorza/Agência O Globo
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Mangueira 2019 levou à Avenida a expressão ‘Marielle Presente’, uma síntese da comoção pelo assassinato — Foto: Gabriel Monteiro/Agência O Globo
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Linha do tempo em frente ao Museu do Amanhã, na Praça Mauá, relembra fatos sobre o assassinato de Marielle e Anderson — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
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Eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL em 2016, com 46 mil votos (a quinta candidata mais bem votada do município), Marielle Franco teve o mandato interrompido por 13 tiros na noite de 14 de março de 2018, num atentado que vitimou também seu motorista Anderson Gomes
Apesar de já cobrar por serviços de internet em Rocha Miranda em 2018, ano do crime, Lessa afirmou em sua delação que o acordo com a família Brazão na região de Jacarepaguá era mais vantajoso, pois permitiria a ele explorar tudo o que a milícia costuma oferecer: TV a cabo, internet, transporte alternativo, água e outros serviços. A área negociada — de 31,2 hectares, o equivalente a cerca de 30 campos de futebol — é formada por dois vales que margeiam a Estrada Comandante Luís Souto e a Rua da Chácara, esta última com saída para Vila Valqueire, na Zona Norte. O réu relatou a possibilidade de dividir o terreno em dois loteamentos, batizados de Nova Medellín 1 e 2, em referência à cidade colombiana.
Segundo seus cálculos, seriam cerca de mil lotes. Metade ficaria com os irmãos Brazão; a outra parte, com ele e o policial militar Edmilson Oliveira da Silva, o Macalé, apontado como intermediador da execução. Macalé era descrito como uma espécie de “corretor da morte”, responsável por conseguir os “trabalhos” para o atirador. Ele não está no processo porque foi assassinado em 2021. Nas contas apresentados pelo ex-PM à Polícia Federal, a venda dos lotes renderia, à época, cerca de R$ 100 milhões para o grupo, além da vantagem de explorar serviços como uma milícia.

Onde Ronnie Lessa diz ter conhecido os irmãos Brazão, em Jacarepaguá
Um trecho da colaboração prestada à PF, a promotores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MPRJ) e à Procuradoria-Geral da República — que participou do acordo porque Chiquinho Brazão exercia mandato parlamentar — detalha o plano: “Então ele (Domingos) deixou bem claro que o loteamento ia seguir, era muito dinheiro envolvido; na época ele falou em cem milhões de reais, e que realmente as contas batem; cem milhões de reais o lucro dos dois loteamentos; são quinhentos lotes de cada lado; é uma coisa grande.”
Hoje, o cenário é de desvalorização. Os terrenos foram invadidos, ocupados irregularmente. Há dezenas de casas com placas de venda ou aluguel. Um morador, que pediu para não ser identificado, diz que alguns imóveis foram tomados pelo tráfico. Além do haras, ainda resiste na região a residência que pertenceu a um criador de passarinhos. Segundo Ronnie, foi no sítio dele, em 1999, que ele — quando ainda PM— conheceu os irmãos Brazão. O local era frequentado por passarinheiros, entre eles Chiquinho e Macalé.
Antes de formalizar o acordo com as autoridades, o colaborador escreveu, em letra de forma, o que pretendia relatar: “Arrolar como testemunhas para confirmar a presença constante e antiga de ao menos quatro personagens em um ambiente em comum: Ronnie, Macalé, Domingos e Chiquinho”. E num rascunho, citou a mulher e os filhos do passarinheiro, falecido em 2008, e até o nome de um dos cães do sítio: Zeus, um mastim napolitano que, segundo ele, estranhava Macalé.
A viúva do criador foi considerada testemunha relevante. Ela confirmou que o executor dos disparos, Macalé e os irmãos Brazão frequentavam o criatório de curiós e bicudos. O ambiente tinha sinuca, gaiolas penduradas, cerveja gelada e café. Os irmãos negam conhecer Ronnie.
Hoje, ela vive reclusa no interior do país. O filho afirma que tanto o ex-sargento quanto Macalé não aparentavam periculosidade:
— Era criança, mas lembro deles. Ficavam jogando sinuca. Nunca falaram em mortes. As conversas eram sobre passarinhos e futebol. A gente só entendeu depois o que tinha acontecido.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, a motivação do crime foi o embate entre Chiquinho e Marielle, que se intensificou na tramitação do projeto que flexibilizava regras urbanísticas e legalizava loteamentos irregulares. Marielle se opôs por considerá-lo favorável a grileiros e milícias. A aprovação apertada teria agravado o conflito.
O julgamento dos assassinatos ocorre oito anos após o crime. Todos os envolvidos negam a execução.



