Charlles Batista, vice-presidente da Agência Reguladora de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) e policial rodoviário federal de carreira, transformou a rotina de fiscalização dos vagões femininos em um verdadeiro fenômeno nas redes sociais.
Com mais de 1 milhão de seguidores — sendo quase 600 mil no Instagram, 300 mil no Facebook e outros 300 mil no TikTok — Batista conquistou notoriedade ao expor, de forma direta e impactante, os flagrantes de desrespeito à lei que garante exclusividade às mulheres nos horários de pico nos trens e metrôs do Rio.
O carisma e a postura firme transformaram Batista em uma espécie de celebridade entre as passageiras, que frequentemente pedem selfies e demonstram apoio ao seu trabalho. Mais do que um fiscal, ele se tornou símbolo da luta contra o desrespeito e o assédio nos transportes públicos do Rio de Janeiro.
Fiscalização com tolerância zero
Nos vídeos publicados, Batista aparece retirando homens que insistem em ocupar os vagões femininos, sempre com firmeza, mas de maneira educada. Enquanto alguns passageiros aceitam a orientação sem resistência, outros chegam a reclamar ou até discutir. Em casos mais graves, a segurança é acionada para garantir o cumprimento da lei. “Estamos defendendo as mulheres, que muitas vezes já foram ofendidas e assediadas. Vamos pensar que poderia ser nossa esposa, nossa filha, nossa mãe…”, reforça Batista em uma de suas abordagens.
A lei e as penalidades
A exclusividade dos vagões femininos é garantida por decreto estadual e vale tanto para trens quanto para metrôs. O descumprimento pode gerar multas que variam de R$ 275 a mais de R$ 1.700 em caso de reincidência. A medida busca coibir o assédio e assegurar o direito das passageiras a um transporte público seguro e digno.
Cobranças à SuperVia
Além da fiscalização dentro dos vagões, Batista também denuncia problemas estruturais nas estações: escadas rolantes desligadas, banheiros em condições precárias, falta de iluminação e acessibilidade insuficiente para cadeirantes. Em uma vistoria, após questionar um agente da SuperVia sobre uma escada rolante desativada, o equipamento foi religado imediatamente, revelando a negligência no atendimento ao público.
“Todo dia a gente paga caro e passa raiva. Exigimos um atendimento digno para nossa população. Cadê o respeito com o passageiro?”, protesta Batista.



