A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira, uma operação para combater uma esquema criminoso ligado à facção Comando Vermelho. Denominada Erga Omnes, a ação investiga práticas que envolvem tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com movimentações financeiras que chegam a R$ 70 milhões a partir da criação de empresas de fachada. Entre os alvos estão pessoas que compõem um “núcleo político”, com investigados que possuem acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
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A operação conta com apoio operacional de outros estados, com 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão sendo cumpridos em Manaus, Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). Entre os que já foram presos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito. As informações são do portal de notícias g1.
Até o momento, 14 suspeitos foram presos, sendo oito no Amazonas. Além de Anabela, entre os outros detidos estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e ex-assessores de três vereadores. Para as autoridades, os alvos foram definidos como o “núcleo político” da facção.
Ainda conforme o g1, a polícia afirma que os investigados atuavam para viabilizar a contratação de empresas de fachada nos ramos de transporte e logística para adquirir drogas na Colômbia. A partir da capital amazonense, os entorpecentes seriam redistribuídos para outros estados do país. Desde 2018, o montante movimentado anualmente foi de cerca de R$ 9 milhões.
Como funcionava o esquema
Segundo a polícia, o grupo utilizava “rotas fluviais e terrestres” para o transporte de drogas, com o auxílio de empresas de fachada para a ocultação de valores de origem ilícita. Relatórios de inteligência financeira apontaram “incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica” declarada pelos envolvidos e pelas empresas vinculadas.
O mapeamento da ligação com membros em outros estados foi feito a partir da extração de dados telemáticos de celulares. Sobre a capilaridade política dos envolvidos, as investigações também mostram “indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais.
Além dos mandados de prisão e busca e apreensão, a polícia solicitou à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal, o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos suspeitos.



