Nem todo risco cardíaco dá sinal: por que avaliar o coração das crianças é prevenção

Mesmo sem sintomas, crianças podem carregar riscos cardíacos silenciosos – e a avaliação preventiva é essencial para garantir segurança no crescimento e na prática esportiva Existe uma percepção muito comum de que o cardiologista pediátrico é o médico das crianças


Mesmo sem sintomas, crianças podem carregar riscos cardíacos silenciosos – e a avaliação preventiva é essencial para garantir segurança no crescimento e na prática esportiva


Existe uma percepção muito comum de que o cardiologista pediátrico é o médico das crianças com doenças cardíacas. Pais procuram essa avaliação quando existe um sopro, um diagnóstico conhecido ou algum sintoma evidente. Fora dessas situações, assume-se que, se a criança é ativa, não apresenta queixas e leva uma vida normal, seu coração está necessariamente saudável. Mas essa é apenas parte da realidade.

A cardiologia pediátrica moderna não se limita ao tratamento de doenças. Seu papel mais importante está na prevenção – e na identificação de riscos que permanecem invisíveis, silenciosos e muitas vezes completamente assintomáticos. É justamente nas crianças aparentemente saudáveis que essa atuação se torna mais valiosa.

O coração saudável também precisa ser avaliado

A maioria das condições cardíacas com potencial de impacto ao longo da vida pode permanecer silenciosa por anos. A criança brinca, corre, participa das atividades escolares e não apresenta qualquer sinal de limitação. O coração acompanha esse desenvolvimento de forma aparentemente normal.

No entanto, algumas doenças cardíacas estruturais ou elétricas podem evoluir sem sintomas iniciais. Em muitos casos, o primeiro momento de maior exigência cardiovascular ocorre quando a criança inicia uma prática esportiva mais estruturada, com treinos regulares e maior demanda fisiológica. Não porque o esporte represente um risco – mas porque ele aumenta a exigência sobre o sistema cardiovascular e pode revelar condições previamente não diagnosticadas.

A avaliação cardiológica preventiva permite identificar essas situações antes que elas se tornem um
problema.

Prevenção é o verdadeiro território da cardiologia

Grande parte do trabalho do cardiologista pediátrico acontece antes que qualquer doença se manifeste. Durante a consulta, avaliamos não apenas o funcionamento atual do coração, mas também fatores de risco que não produzem sintomas, como histórico familiar de morte súbita, cardiomiopatias hereditárias e doenças elétricas do coração.

Na maioria das vezes, o resultado dessa avaliação é a confirmação de que o coração é saudável. Isso também é prevenção, porque permite que a criança cresça, se desenvolva e pratique atividade física com segurança e confiança.

Atleta infantil: coração sob maior exigência

Quando uma criança inicia a prática esportiva regular, seu sistema cardiovascular passa por um processo de adaptação fisiológica. Esse processo é esperado e desejável, mas também representa um novo nível de exigência cardiovascular.

Mesmo na ausência de sintomas, a avaliação cardiológica preventiva torna-se uma ferramenta essencial
para garantir que essa adaptação ocorra de forma segura.

Ver o invisível é a essência da prevenção

Avaliar o coração de uma criança saudável não significa procurar doença. Significa exercer a medicina em sua forma mais preventiva. Na cardiologia pediátrica, cuidar de corações saudáveis é tão importante quanto tratar os que estão doentes.

Dra. Marina Pinheiro Rocha Fantini – CRM/MG 52789 | RQE 35133 / 56528
Cardiologista Pediátrica e Intensivista
Cofundadora da CardioWays





Com informações da fonte
https://jovempan.com.br/saude/nem-todo-risco-cardiaco-da-sinal-por-que-avaliar-o-coracao-das-criancas-e-prevencao.html

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