O Acadêmicos do Salgueiro homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães no desfile desta terça-feira (17). No momento em que os versos do samba-enredo dizem que foi ela, a Mestra, quem nos ensinou a amar a festa, a bateria e o intérprete Igor Sorriso se silenciam na Avenida, é quando a cantoria da torcida e dos componentes é guiada pelas cordas de um violino. O músico campista Mateus Soares, de 27 anos, será o responsável por dar esse tom erudito, como a temática de muitos desfiles da Professora, que destacavam cortes de realeza.
Natural de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Mateus se mudou para a capital em 2018, ano em que iniciou os estudos na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela qual se formou bacharel em violino.
Antes, estudou bateria e tocou violão na igreja. Mas foi na ONG Orquestrando a Vida, em Campos, que chegou ao violino na adolescência.
“Na verdade, eu queria tocar clarineta. Mas não tinha vaga para essa turma. A vaga que tinha era para violino, foi quando a menina da produção de lá falou: “nossa, seus dedos são bons para violino”. “É porque eles precisavam de violino”, ri Mateus, que tinha vergonha do instrumento no início. “Gostava mais de pop rock”.
Depois de cerca de um ano, o jovem músico tomou gosto pelas cordas e pelo arco, quando passou a frequentar festivais de música, onde conheceu o maestro Daniel Guedes, que o orientou a prestar vestibular. O mentor acabou se tornando seu professor na UFRJ.
Turnê para Nova York
Com a pandemia no meio do caminho, Mateus se mudou para a Terra da Garoa ao passar na prova da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, grupo do qual fez parte por dois anos. Foi preciso trancar a matrícula na faculdade, momento em que participou de turnês pelo Rio, por São Paulo e até pelos Estados Unidos, onde tocou no Carnegie Hall, em Nova York.
O músico voltou ao Rio em 2023 e se formou. Atualmente, ele faz parte do Quarteto Guanabara, um dos grupos mais tradicionais de música de concerto, e colabora com a Orquestra Sinfônica Brasileira, com a qual toca com frequência. Até os ensaios do Salgueiro na Avenida, sequer tinha pisado no Sambódromo.
Do convite “inusitado” à ansiedade
Mateus, que vive sob o lema de que “música é música”, foi convidado para gravar ainda o samba-enredo do Salgueiro na segunda metade do ano passado, o que define como “inusitado” e que acreditava ser uma ocasião isolada.
*Com informações de O Globo
2026-02-17 10:02:00



