O Governo do Estado de São Paulo realizou, poucos dias antes do carnaval, uma ofensiva voltada ao combate à violência contra as mulheres. Batizada de “Operação M – Carnaval Seguro”, a ação resultou na prisão de 430 suspeitos de agressão, além da apreensão de 14 armas de fogo.
A operação começou na segunda-feira, dia 9 de fevereiro, e teve como principal momento de atuação a quarta-feira, dia 11. Ao todo, participaram 1,5 mil policiais e foram usadas 770 viaturas. A iniciativa foi coordenada pela Secretaria de Segurança Pública com apoio da Secretaria de Políticas para a Mulher, evidenciando atuação conjunta entre segurança pública e políticas sociais.
A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, destacou o impacto social da retirada de agressores de circulação e a importância do acolhimento às vítimas.
— Um agressor de mulher preso significa uma mulher, uma vida, uma família salva. Nós continuamos empenhados em acolher a vítima, no encaminhamento social, jurídico, para apoiá-la e também na qualificação de um ofício, se necessário, porque uma mulher com autonomia rompe o ciclo da violência — explica.
Rompimento de ciclos de violência
Segundo ela, a política pública vai além da repressão policial e inclui orientação jurídica, apoio social e promoção de autonomia econômica como forma de romper os ciclos de violência.
O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, relacionou a operação atual a ações anteriores e reforçou o planejamento do governo para o período festivo.
— Essa operação vem desde a anterior, a Hera II, no final do ano passado, quando fizemos 110 prisões com mandado e outras 200 em flagrante. Hoje começamos cedo, antes das 6h, cumprindo mandados de prisão por todo o estado para retirar agressores das ruas e interromper ciclos de violência — diz Gonçalves.
Já o delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian, ressaltou o caráter preventivo da ação, inclusive com prisões em flagrante por porte de armas.
— Foi deflagrada única e exclusivamente com o intuito de retirar os agressores de circulação na semana de pré-carnaval para que eles não possam cometer crimes contra as mulheres — explica o delegado-geral.
Incentivo às denúncias
Dados apresentados pela Secretaria de Políticas para a Mulher indicam a estrutura de atendimento disponível no estado: são 142 Delegacias de Defesa da Mulher, 172 salas especializadas em delegacias comuns e a DDM online, que permite o registro de ocorrências pela internet. A secretária também alertou para a progressão da violência e a necessidade de denúncia.
— Feminicídio é um crime complexo, mas geralmente é precedido por agressões verbais, morais e físicas. É nosso papel conscientizar essas mulheres que estão sendo agredidas para que denunciem, que confiem na polícia, que confie em nosso governo, porque elas nunca estarão sozinhas — orienta a secretária.



