assassinato de envolvido em crime que chocou o Brasil na década de 1970 não tem relação com o caso; veja como polícia chegou a suspeito

A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu o homem suspeito de matar Dante de Brito Michelini, conhecido como “Dantinho”, encontrado morto de forma violenta em Guarapari, na Grande Vitória, no início de fevereiro. De acordo com a investigação, o crime


A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu o homem suspeito de matar Dante de Brito Michelini, conhecido como “Dantinho”, encontrado morto de forma violenta em Guarapari, na Grande Vitória, no início de fevereiro. De acordo com a investigação, o crime teria sido motivado por vingança e marcado por extrema brutalidade: a vítima foi decapitada ainda com vida e sofreu agressões consideradas cruéis pelos investigadores.

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O corpo de Dante foi localizado em um sítio no dia 3 de fevereiro, já decapitado e carbonizado. Ele chegou a ser acusado — e depois absolvido — de participação no assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, caso que chocou o país em 1973. A polícia afirma, porém, que não há qualquer relação entre aquele crime e a morte recente.

Segundo a polícia, o homem preso é Willian Santos Manzoli, que havia se mudado recentemente da Bahia para Guarapari e possuía histórico de descumprimento de medida protetiva. A principal linha de investigação aponta vingança como motivação: ele estaria dormindo sem permissão em parte da chácara de Dante, foi descoberto e expulso e, dias depois, voltou ao local pela mata para atacá-lo.

O assassinato teria ocorrido entre 19 e 20 de janeiro. Na reconstituição, o suspeito indicou onde havia descartado a cabeça da vítima, posteriormente encontrada em uma área de maré. Ele contou ter usado um alicate para cortar a cerca do sítio, além de uma machadinha e uma faca com soco-inglês que estavam no próprio terreno. A machadinha foi recuperada; os demais objetos, não.

A polícia também descreveu a violência sofrida por Dante.

— Ele foi morto no dia 19 de janeiro e o corpo só foi encontrado no dia 3 de fevereiro. A decomposição já era avançada, mas podemos afirmar que ele sofreu muito. Teve a cabeça cortada ainda em vida, e houve atos que podem ser comparados a tortura — afirmou o delegado Fabrício Dutra, chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), à TV Gazeta.

De acordo com os investigadores, após o crime o suspeito levou a cabeça até o canal de Guarapari dentro de uma sacola. Como ela boiou, ele entrou na água e a amarrou a uma pedra antes de jogá-la novamente. O objeto foi encontrado a cerca de quatro metros de profundidade e cinco metros da margem.

O caso começou a ser esclarecido depois que a ausência do dono do sítio chamou atenção. Durante as buscas, cães farejadores foram utilizados e até uma piscina do local foi esvaziada por causa do cheiro de decomposição — mas ali havia apenas restos de tartarugas.

Os investigadores também analisaram a rotina da vítima, contatos recentes e a informação de que o sítio estava à venda, o que acabou levando ao suspeito preso.

Ligação com o caso Araceli

Dante de Brito Michelini era membro de uma família tradicional do Espírito Santo e teve o nome associado ao assassinato de Araceli Cabrera Crespo, crime que envolveu sequestro, violência sexual, morte e carbonização da criança.

Caso Araceli — Foto: Reprodução

Ele chegou a ser condenado em 1980, mas a sentença foi anulada e, após novo julgamento, todos os acusados foram absolvidos por falta de provas. O caso permanece sem responsáveis punidos.

Em um raro depoimento, o pai de Dante declarou: “Nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai. Fomos ligados ao caso depois de uma notícia de jornal”.

Em memória de Araceli, o dia 18 de maio passou a ser o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

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