E precisamos falar sobre a MNET e as demais empresas envolvidas nessas produções que descartam os idols depois de usarem fama e popularidade deles. A fórmula deles é bastante explicíta e já batida: pegam trainees desesperados por um momento de sucesso, muitas vezes ídolos talentosos que floparam em grupos anteriores ou foram mastigados pela indústria e balançam uma segunda chance na frente deles como um troféu muito tentador. É ‘Jogos Vorazes’ com glitter. Eles reciclam narrativas, exploram o desespero e nos forçam a criar laços com esses trainees através do trauma, só para colocar uma data de validade no sucesso deles. Não é apenas negócio é uma guerra psicológica que mexe com artistas e fãs.
Vários grupos bastante conhecidos nasceram nesse jogo de moer artistas: I.O.I, Wanna One, IZ*ONE, X1 (esses sofreram mais do que a maioria), Kep1er, ZB1 e, futuramente o grupo que acabou de debutar, Alpha Drive One.
Chama atenção o jeito que essas empresas operam: no começo, eles fazem um ‘love bombing’ na gente. Clipes de alto orçamento, reality shows, fan service infinito; eles querem a gente viciada. Mas repare bem conforme o contrato chega ao fim: orçamento encolhe, os comebacks ficam preguiçosos e, de repente, eles estão lançando ‘Álbuns Especiais de Despedida’ com faixas recicladas e merchandising superfaturado só para espremer a última gota das nossas economias antes que o barco afunde. Eles sabem que estamos emocionalmente reféns, então sugam nossa devoção até o último segundo. É exploração vestida de turnê de despedida e, francamente, é um insulto aos artistas que ralam até o fechar das cortinas.
Aí tem o golpe do ‘Grupo Global’. A MNET adora estampar a palavra ‘Global’ em tudo, arrastando trainees estrangeiros para aumentar a audiência internacional, só para tratá-los como cenário. Eles usam esses meninos pela diversidade visual e pelos votos dos fãs internacionais, mas no momento em que as câmeras rolam, a ‘edição maligna’ (evil editing) começa. É sempre o mesmo roteiro: o estrangeiro ‘ganancioso’, o estrangeiro ‘sem talento’ ou o estrangeiro que ‘não sabe se comunicar’. É xenofobia embalada como drama. Vemos garotos talentosos da China, Japão e Tailândia recebendo tempo de tela mínimo ou sendo pintados como vilões só para garantir uma narrativa. É bagunçado e muito cruel.
Mas sabe qual é a pior parte? Vai acontecer tudo de novo. Fãs vão gritar pelo Alpha Drive One, fazer streamings infinitos e chorar quando o contrato deles inevitavelmente acabar. Fãs de grupos temporários são viciados na adrenalina, no talento e na esperança de que talvez dessa vez seja diferente. Mas não vamos nos iludir, a indústria foi desenhada para partir nossos corações e esvaziar nossas carteiras. Então, coloque sua peruca de palhaça, pegue seu lightstick e vamos aproveitar o show enquanto dura porque nessa indústria, nada é para sempre, e a MNET sempre vence.
2026-02-10 13:00:00



