Mais uma vez, o Rio amanhece sob o mesmo roteiro: chuva forte, vias interditadas, sirenes acionadas e, desta vez, até um casal eletrocutado em Copacabana ao atravessar um ponto alagado. Enquanto isso, o prefeito Eduardo Paes aparece em vídeo pedindo “atenção redobrada”. O detalhe é que esse filme já foi exibido em vários mandatos, sempre com o mesmo final: alagamentos, deslizamentos e a promessa de que “agora vai”.
O discurso da madrugada
No vídeo publicado nesta terça-feira (10), Paes anunciou que “as principais vias já estão liberadas” e que a cidade aguarda posição sobre a Avenida Niemeyer. Em seguida, veio o alerta quase paternal: “A previsão de hoje é de mais chuva. Então, todo mundo atento porque, dependendo da quantidade, sempre pode trazer mais transtorno”. Traduzindo: o problema continua, mas a responsabilidade é sua, cidadão.
A rotina do caos
Enquanto a prefeitura garante que trabalhou “a madrugada inteira”, o que se vê são bolsões d’água, quedas de árvores e vias interditadas. O BRT chegou a parar, moradores de Copacabana foram eletrocutados em pontos alagados e 15 sirenes foram acionadas em comunidades. A Av. Niemeyer foi fechada após uma queda de barreira.

A cantora MC Melody postou um vídeo que viralizou. Ela precisou abandonar o carro em que estava após o veículo ser inundado em uma enchente em Rocha Miranda, na Zona Norte. A cidade entrou em Estágio 3 de alerta e depois recuou para o 2, como se isso fosse consolo.
A matemática da chuva
Segundo a Defesa Civil, já são 20 dias consecutivos de precipitação, o solo está instável e o risco de deslizamentos é alto. Nada disso é novidade: o Rio conhece bem sua geografia e sua vulnerabilidade. O que falta é a tal “contenção” que nunca sai do papel, mas sempre entra no discurso.
O eterno pedido de atenção
Paes insiste que a população deve estar “atenta”. O problema é que o carioca já está atento há décadas — atento ao improviso, às obras inacabadas e às promessas recicladas. A cada temporal, a cidade se transforma em piscina olímpica e o prefeito reaparece em vídeo, como se fosse narrador de tragédia anunciada.

A culpa é da chuva
No fim, o recado é claro: o Rio continua alagado, mas a culpa é da chuva. A prefeitura, por sua vez, segue no papel de bombeiro tardio, apagando incêndios que nunca deveriam ter começado. E o cidadão? Esse já aprendeu a nadar — não por esporte, mas por sobrevivência.



