A transferência do capital político de Jair Bolsonaro para o filho Flávio Bolsonaro (PL) já começa a se refletir de forma concreta nas métricas de presença online. Em apenas dois meses desde que foi oficializado como pré-candidato, o senador se consolidou na primeira posição do Índice Datrix dos Presidenciáveis — tornando-se o principal rival digital do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o levantamento, que mensura engajamento, alcance e reputação digital dos nomes mais cotados para 2026, Flávio liderou o ranking em dezembro de 2025 com 36,09 pontos, superando Lula, então em terceiro lugar com 27,29 pontos. Já em janeiro de 2026, ele ampliou sua pontuação para 37,18, enquanto o presidente caiu para 16,58, ficando na última posição entre os sete monitorados.
Especialistas apontam que a queda de Lula no ranking está ligada à associação de sua imagem a temas internacionais, como a posição do governo brasileiro diante da detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, e à rejeição do chamado PL da Dosimetria — uma medida criticada por beneficiar os condenados pelo episódio de 8 de janeiro de 2023. Esses fatores teriam corroído a reputação do presidente fora de sua base tradicional, reduzindo sua capacidade de repercutir positivamente no chamado “mar aberto” das redes sociais.
“Com a entrada de temas internacionais no centro do debate, a reputação fora das redes próprias passou a exercer influência decisiva sobre o desempenho dos candidatos”, observa o diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro.
Crescimento da imagem digital de Flávio
Flávio não só herdou parte dos seguidores de Bolsonaro — estimados em 8,5 milhões no Instagram — como também conseguiu expandir sua aceitação além da bolha digital tradicional. As menções favoráveis ao pré-candidato registraram alta de 19%, segundo o estudo, e o apoio público de figuras como o deputado Tarcísio de Freitas e a perspectiva de uma chapa incluindo Romeu Zema como vice reforçaram a ideia de uma frente unificada da direita.
Essa estratégia tem transformado o capital político herdado em uma liderança digital mais estruturada, sustentada não apenas pelo engajamento da base, mas por melhora de reputação em públicos mais amplos.
Comparativo dos rankings – dezembro e janeiro
Janeiro de 2026
- Flávio Bolsonaro (PL) — 37,18
- Ronaldo Caiado (PSD) — 30,77
- Romeu Zema (Novo) — 28,92
- Ratinho Júnior (PSD) — 27,40
- Tarcísio de Freitas (Republicanos) — 26,89
- Eduardo Leite (PSD) — 26,23
- Lula (PT) — 16,58
Dezembro de 2025
- Flávio Bolsonaro (PL) — 36,09
- Ronaldo Caiado (PSD) — 32,99
- Lula (PT) — 27,29
- Romeu Zema (Novo) — 27,27
- Eduardo Leite (PSD) — 25,85
- Ratinho Júnior (PSD) — 22,47
- Tarcísio de Freitas (Republicanos) — 20,77
O que isso revela
No ambiente digital, Flávio Bolsonaro desponta hoje como um dos protagonistas da corrida presidencial de 2026, ao passo que Lula percebe que ter milhões de seguidores não basta se a narrativa não conseguir transpor as bolhas de apoio. Esse desempenho digital, porém, contrasta com pesquisas tradicionais de intenção de voto realizadas neste início de fevereiro, que mostram Lula à frente nas simulações eleitorais — reforçando que presença nas redes é apenas um dos muitos fatores da disputa política real.



