Cancelada pouco depois da estreia, Daybreak virou um dos exemplos mais claros de como a Netflix abandona ideias fortes antes de explorar todo o seu potencial. Lançada em 2019, a série terminou a primeira temporada com um gancho ousado e cheio de possibilidades narrativas, mas nunca teve a chance de desenvolver essa virada.
Ambientada em um mundo pós-apocalíptico dominado por adolescentes, a produção acompanha a jornada de Josh Wheeler (Colin Ford), que se enxerga como o herói da própria história enquanto tenta reencontrar Sam Dean (Sophie Simnett). A proposta inicial parece seguir um caminho conhecido, mas aos poucos a série passa a questionar esse ponto de vista e a brincar com a ideia de narrador não confiável.
O episódio final deixa claro que a história estava apenas começando. Sam rejeita a versão idealizada que Josh construiu dela e assume uma posição de poder inesperada, sentando-se no trono como nova líder de um dos grupos dominantes. A cena reposiciona completamente a personagem e muda o eixo da série, abrindo espaço para conflitos mais complexos.
A virada ganha ainda mais força por envolver personagens centrais da dinâmica de poder. Após a queda de Baron Triumph (Matthew Broderick), a liderança antes exercida com violência por Turbo Bro Jock (Cody Kearsley) passa a ser disputada em outro nível. A reação de Josh, Angelica (Alyvia Alyn Lind), Ms. Crumble (Krysta Rodriguez) e Wesley (Austin Crute) reforça que aquela mudança não era apenas simbólica, mas um ponto de ruptura real na narrativa.
Parte do impacto do gancho vinha justamente da ambiguidade. A ascensão de Sam poderia indicar uma futura vilã ou apenas revelar como Josh distorce os acontecimentos ao perder o controle da história. A presença de Mona Lisa (Jeanté Godlock) ao seu lado e o apoio imediato dos atletas sugeriam um novo jogo político, muito mais instável e imprevisível.
Ao optar pelo cancelamento precoce, a Netflix encerrou essa discussão antes que ela amadurecesse. A decisão reforçou uma crítica recorrente ao modelo do streaming, que frequentemente abandona séries no momento em que elas encontram uma identidade mais ousada e disposta a subverter expectativas.
Anos depois, Daybreak segue lembrada menos pelo que mostrou e mais pelo que poderia ter desenvolvido. O desfecho inacabado transformou a série em símbolo de um desperdício clássico da Netflix, quando histórias promissoras são interrompidas justamente na hora em que começam a se reinventar.
Assista abaixo ao trailer de Daybreak:
2026-02-10 07:05:00



