Série documental de 2020 volta ao Top 10 da Netflix

O interesse do público por crimes reais e escândalos de alto escalão colocou novamente em evidência uma produção que já havia causado repercussão no streaming há mais de cinco anos. Jeffrey Epstein: Poder e Perversão retornou ao ranking das dez


O interesse do público por crimes reais e escândalos de alto escalão colocou novamente em evidência uma produção que já havia causado repercussão no streaming há mais de cinco anos. Jeffrey Epstein: Poder e Perversão retornou ao ranking das dez séries mais assistidas da Netflix no Brasil e em outros países, impulsionado por desdobramentos recentes que reacenderam o debate sobre a rede de contatos do financista, acusado de liderar uma rede de exploração e tráfico sexual de menores de idade, ao lado da ex-namorada, Ghislaine Maxwell.

Lançada originalmente em junho de 2020, a minissérie tem quatro episódios que mostram as táticas utilizadas pelo bilionário para atrair e abusar de jovens. A narrativa utiliza depoimentos de sobreviventes e registros de investigações para detalhar como o predador sexual operava um complexo esquema de tráfico em diversas localidades, como Nova York e as Ilhas Virgens, no Caribe.

O documentário também questiona como ele conseguiu evitar sentenças rígidas por tanto tempo, mantendo-se próximo a figuras influentes da política e do mundo empresarial. A produção, que começou antes da prisão e morte de Epstein, não pretende trazer fatos inéditos, mas sim consolidar a vasta quantidade de dados existentes com o impacto das narrativas das sobreviventes.

Poder e Perversão ilustra como Epstein, um financista com um estilo de vida opulento e relações com personalidades poderosas como Bill Clinton, o Príncipe Andrew e Donald Trump, além de ser um doador de instituições renomadas como Harvard e MIT, conseguiu ludibriar o sistema judicial dos Estados Unidos para escapar de uma sentença que provavelmente seria de prisão perpétua por abuso sexual e tráfico de crianças.

Um ponto central da biografia do bilionário é o controverso “acordo de não-prosecução” de 2008, mediado por Alex Acosta, então procurador estadual, e pela equipe jurídica de Epstein, que incluía Alan Dershowitz. Esse acordo selado concedeu imunidade a Epstein e a co-conspiradores, resultando em Epstein se declarando culpado de duas acusações de prostituição em um tribunal estadual, cumprindo apenas 11 dos 13 meses de pena em uma prisão em Palm Beach, com a permissão de sair seis dias por semana para “trabalho”.

Joe Berlinger, produtor executivo da série, considerou a “encarceramento” de Epstein ultrajante, dado que ele “continuava a se encontrar com garotas, a fazer dinheiro e a conduzir negócios”. A diretora Lisa Bryant observou que a capacidade de Epstein de se esquivar da Justiça durante anos expôs um sistema criminal americano “construído para dinheiro, poder e ganho político”.

A produção, que entrega contexto ao explicar quem foi e o que fez Jeffrey Epstein (1953-2019), tem boa avaliação no IMDb, com nota 7,1/10. No Rotten Tomatoes, 81% de aprovação da crítica e 67% do público.

Assista ao trailer:

Como Jeffrey Epstein morreu?

Quem assiste ao documentário fica mais interessado pelo caso e pela morte de Jeffrey Epstein, cercada de incertezas. A morte de Jeffrey Epstein, oficialmente classificada como suicídio por enforcamento em uma prisão de Nova York em agosto de 2019, é um tema abordado pela série, que não endossa, mas discute as teorias da conspiração.

Embora um especialista externo contratado pelo irmão de Epstein tenha levantado dúvidas não comprovadas sobre a causa da morte, citando uma fratura incomum no pescoço, Berlinger afirmou que a produção não encontrou “nada que apoiasse definitivamente a ideia de que ele foi assassinado”, embora sentissem que as teorias deveriam ser mencionadas. O produtor do documentário, pessoalmente, acredita que foi suicídio.

As acusações contra Epstein foram retiradas após a sua morte, mas as investigações continuaram contra outros envolvidos no caso, como Ghislaine Maxwell, que foi presa e condenada a 20 anos de prisão em 2022.

A nova onda de audiência da série documental na Netflix não ocorre por acaso. Neste mês, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou milhões de páginas de arquivos confidenciais relacionados ao criminoso. Os documentos contêm nomes de diversas personalidades famosas, trocas de e-mails e registros fotográficos que mostram a proximidade de Epstein com membros da elite global.

A divulgação desses dados gerou uma curiosidade renovada sobre a trajetória do homem que, mesmo após sua morte, continua gerando repercussões nos tribunais e na opinião pública.



Conteúdo Original

2026-02-09 21:30:00

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