A nova tabela da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), sancionada pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) após aprovação da Câmara do Rio, entra em vigor em fevereiro e já provoca impacto direto na conta de luz dos cariocas. A medida eleva a arrecadação municipal por meio do aumento da cobrança sobre residências, comércios e indústrias.
Durante a tramitação, vereadores da oposição tentaram barrar o reajuste. O projeto foi aprovado em sessão extraordinária realizada em setembro de 2025, por 36 votos a favor e 11 contrários. Parlamentares oposicionistas acusaram o governo de pressionar vereadores e de impor uma medida que penaliza diretamente a população, com efeito em cadeia sobre os preços de produtos e serviços.
Veja a lista dos vereadores que votaram contra o aumento da Cosip:
- Carlos Bolsonaro (PL)
- Diego Faro (PL)
- Dr. Rogério Amorim (PL)
- Fernando Armelau (PL)
- Monica Benício (PSOL)
- Paulo Messina (PL)
- Pedro Duarte (Novo, à época)
- Poubel (PL)
- Rick Azevedo (PSOL)
- Thais Ferreira (PSOL)
- Willian Siri (PSOL)
Durante a votação, vereadores da direita e até alguns da esquerda tentaram impedir a aprovação do projeto. O líder do PL na Câmara, Dr. Rogério Amorim, criticou duramente a proposta.
“Esse aumento é um confisco disfarçado. O cidadão já paga impostos altíssimos e agora vai bancar mais uma conta criada pelo prefeito. Isso é injusto e desproporcional”, afirmou.
Alguns consumidores poderão enfrentar aumentos de até 132,7% na Cosip
Além disso, a lei proposta pela prefeitura também prevê que parte dos recursos arrecadados com a Cosip poderá ser desvinculada do Fundo Municipal de Iluminação Pública por meio da Desvinculação de Recursos de Estados e Municípios (DREM). Isso significa que o valor poderá ser gasto em qualquer despesa, sem relação direta com iluminação pública.
De acordo com a nova tabela, consumidores com gasto acima de 300 kWh por mês — perfil comum da classe média — poderão enfrentar aumentos de até 132,7% na Cosip. Uma conta de R$ 370, por exemplo, que antes tinha cobrança de R$ 19,38, passará para R$ 45,09. Mesmo com a redução do consumo, a taxa pode não cair imediatamente, devido a uma regra de transição válida até novo reajuste da Aneel.
Entidades representativas também reagiram negativamente. A Firjan alertou que a energia elétrica já representa cerca de 30% dos custos industriais, e que o aumento compromete a competitividade e a retomada econômica.



