Com informações do O Globo. A família Bolsonaro colocou em marcha uma estratégia para que o PL lance candidatos próprios aos governos estaduais em 2026, movimento que pressiona alianças locais e reabre disputas já dadas como encaminhadas em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A articulação é liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, apontado como presidenciável, e conta com intervenções diretas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em disputas ao Senado.
A diretriz defendida por Flávio é a de palanques “puro-sangue”, com candidaturas exclusivas do PL, evitando compartilhamento com partidos do Centrão ou da centro-direita, como o PSD. O objetivo é concentrar a campanha em torno do número 22 e fortalecer chapas proporcionais e candidaturas ao Senado.
São Paulo
A orientação cria atrito com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que resiste a migrar para o PL. Avaliações no entorno do governador indicam receio de que uma filiação ao partido de Valdemar Costa Neto empurre sua candidatura para um campo ideológico mais à direita do que o desejado, com riscos de perda de apoios do Centrão. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) chegou a defender publicamente que o partido lance nome próprio ao governo paulista.
Minas Gerais
Em Minas, a decisão afeta o vice-governador Mateus Simões (PSD), escolhido por Romeu Zema para a sucessão e que contava com apoio do PL. Também pressiona o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder em pesquisas. Flávio tem como trunfo o deputado Nikolas Ferreira, cuja eventual candidatura ao governo mineiro passou a ser ventilada, apesar de resistência inicial do próprio parlamentar.
Rio de Janeiro
No Rio, o cenário é mais complexo por envolver uma eleição indireta antes do pleito de outubro. Com a saída do vice Thiago Pampolha para o TCE e a desincompatibilização do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, haverá dupla vacância no Palácio Guanabara. A eleição indireta caberá à Alerj após condução provisória do Judiciário estadual.
Dentro do PL fluminense, há disputa: Castro defende o nome do secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, enquanto Flávio prefere um candidato com viabilidade eleitoral para enfrentar Eduardo Paes. O nome mais citado é o do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, ligado ao presidente estadual do partido, Altineu Côrtes.
Outros estados
Na Bahia, a orientação do PL tensiona a relação com ACM Neto (União), enquanto o ex-ministro João Roma (PL) surge como opção ao Senado. No Espírito Santo, o partido recuou em negociações com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e passou a trabalhar o nome do senador Magno Malta ao governo.
Intervenção de Michelle
Em Santa Catarina, Michelle Bolsonaro entrou diretamente no debate interno ao reafirmar apoio à deputada Caroline de Toni para o Senado, em meio a disputas dentro da chapa do governador Jorginho Mello (PL). A movimentação ocorre enquanto a parlamentar avalia convites de outras siglas e enfrenta concorrência à direita, com nomes como Esperidião Amin (PP) e Carlos Bolsonaro.



