A vitória de Laura Fernández na Costa Rica marca mais um capítulo da onda de triunfos eleitorais da direita na América Latina, que recentemente já se consolidou em países como Chile, Equador e Honduras. O resultado reflete o fortalecimento de um discurso firme contra o crime organizado e a crescente demanda popular por líderes capazes de enfrentar a violência com medidas duras e estruturais.
Uma vitória expressiva
Com 48,7% dos votos, Fernández, cientista política e ex-chefe de gabinete do presidente Rodrigo Chaves, derrotou o centrista Álvaro Ramos, que obteve 33,18%. Representando o Partido Soberano do Povo (PPSO), de centro-direita, ela assume o comando do país em 8 de maio, prometendo dar continuidade às políticas de segurança e reformas institucionais iniciadas por Chaves.
Segurança como prioridade
A escalada da violência foi decisiva para o pleito. Quatro em cada dez costarriquenhos apontam a criminalidade como o maior desafio nacional. Uma recente reconfiguração das rotas internacionais do tráfico transformou a Costa Rica em ponto estratégico de armazenamento de cocaína para Estados Unidos e Europa, elevando os índices de homicídios a patamares recordes: 905 assassinatos em 2023 e 873 em 2025.
Fernández já anunciou que pretende reformar a Constituição e promover mudanças no Judiciário, considerado por ela um entrave ao combate efetivo contra o crime organizado. Seu partido deve conquistar cerca de 30 das 57 cadeiras no Congresso, ampliando a base de apoio para implementar mudanças profundas.
Continuidade e ruptura
Em seu discurso de vitória, a presidente eleita declarou que a Costa Rica está entrando em uma “nova era política”, defendendo a construção de uma “terceira república” marcada por reformas estruturais e pela centralidade da segurança pública.
Onda regional
Assim como em outros países latino-americanos, o eleitorado costarriquenho rejeitou discursos progressistas e optou por uma liderança de direita com foco em ordem e estabilidade. A vitória de Fernández ecoa os recentes resultados no Chile, Equador e Honduras, consolidando uma tendência regional: a direita endurece contra o crime e ganha força nas urnas.



