Com informações do g1. O brasileiro sente o peso dos impostos em praticamente todos os momentos do dia. Eles incidem sobre o salário, o consumo básico, a conta de luz e até serviços essenciais. Em 2024, a carga tributária do país atingiu 32,2% do PIB, o maior patamar da série histórica, reforçando a percepção de que se paga muito e se recebe pouco em troca.
Embora o percentual brasileiro ainda fique abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil arrecada mais do que a média da América Latina e do Caribe. O problema central, segundo especialistas, não está apenas no volume arrecadado, mas na forma como o dinheiro retorna à população. Saúde, educação, segurança e infraestrutura consomem recursos elevados, mas frequentemente não entregam serviços na qualidade esperada, o que alimenta a rejeição social aos tributos.
Outro fator que agrava a sensação de peso excessivo é a forma desigual de cobrança. O sistema tributário brasileiro concentra grande parte da arrecadação sobre o consumo. Impostos embutidos nos preços de produtos e serviços afetam proporcionalmente mais as famílias de baixa renda, que comprometem parcela maior do orçamento com itens básicos. Em 2024, tributos sobre bens e serviços responderam por 43,5% de toda a arrecadação, enquanto impostos sobre renda e patrimônio tiveram peso menor.
Estudos recentes mostram que brasileiros com rendas muito elevadas acabam pagando, proporcionalmente, menos imposto do que a classe média e a população de menor renda. Essa distorção mantém o debate sobre justiça tributária no centro das discussões econômicas, especialmente em um cenário pré-eleitoral.
Para especialistas, aliviar o peso dos impostos não depende apenas de reduzir alíquotas. A principal chave está na qualidade do gasto público. O Estado brasileiro gasta muito, mas nem sempre de forma eficiente. Um dos pontos mais criticados é o volume de subsídios e benefícios fiscais, que ultrapassaram R$ 540 bilhões no último ano. Parte dessas renúncias, segundo analistas, carece de comprovação de retorno social ou econômico e poderia ser revista.
Outra medida vista como avanço é o cashback tributário, previsto na reforma tributária para entrar em vigor a partir de 2027. O mecanismo prevê a devolução de parte dos impostos pagos no consumo para famílias de baixa renda, reduzindo o impacto direto no orçamento de quem mais sente o peso da tributação. A avaliação é que a devolução vinculada ao CPF e a programas sociais torna o sistema mais justo sem desmontar a arrecadação.
Mudanças recentes no Imposto de Renda também entram nessa equação. A isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais e a redução gradual para rendas intermediárias retiraram milhões de brasileiros da base do imposto. Para compensar, o governo ampliou a tributação sobre rendas mais altas e dividendos, buscando equilíbrio fiscal sem aumentar a carga geral.
No centro do debate, permanece a mesma constatação: o problema do imposto no Brasil não é apenas quanto se paga, mas como se cobra e, principalmente, como se gasta. Enquanto a percepção de pouco retorno persistir, o peso no bolso continuará sendo também um peso político.
2026-01-25 10:45:00



