O assalto sofrido pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD), na manhã desta sexta-feira (16) reforça a escalada bélica do crime organizado, sustentada por uma legislação considerada ultrapassada e branda para quem porta armamentos de guerra e pela falta de fiscalização da entrada de armas de grosso calibre pelas fronteiras do país, responsabilidade do governo federal.
Em plena luz do dia, criminosos armados com fuzil interceptaram o carro do parlamentar na subida do Viaduto do Gasômetro, utilizando roupas falsas da Polícia Civil para simular uma operação. Resultado do endurecimento do combate ao crime organizado no Rio, promovido pelo governador Cláudio Castro, no ano passado foram retirados das ruas quase mil fuzis, em recorde de apreesnão.
O assalto cinematográfico
Luiz Paulo seguia para a Casa da Moeda, em Santa Cruz, onde participaria de uma cerimônia pelos 90 anos do salário mínimo, com a presença do presidente Lula. Por volta das 7h15, o Hyundai Creta em que estava foi fechado por outro veículo e bloqueado por um Corolla. Seis homens desceram, todos de touca ninja e roupas pretas com a inscrição “Polícia Civil”. Um deles portava um fuzil.
O motorista foi rendido e o deputado, acreditando inicialmente se tratar de uma abordagem policial, permaneceu no carro até ouvir os gritos: “Sai do carro, coroa, p*rra!”. Os criminosos levaram o celular do parlamentar, um blazer e todos os pertences do motorista.
“Aleluia” em meio ao terror
Sem escolta, Luiz Paulo não reagiu. Depois, relatou:
“Como eu não ando com escolta, não teve reação. Mas já pensou se tivesse? Eles não atiraram na gente, e isso já foi um aleluia.”
O caso foi registrado na 17ª DP (São Cristóvão).
Armas de guerra nas ruas
O uso de fuzis em assaltos e confrontos tornou-se rotina no Rio. Essas armas de guerra ampliam o poder de fogo das quadrilhas e desafiam a capacidade de resposta das forças de segurança. Especialistas apontam que a legislação atual, branda e desatualizada, contribui para a disseminação desse arsenal.
A resposta do governo
Em 2025, o Rio de Janeiro registrou 920 fuzis apreendidos, o maior número desde o início da série histórica em 2007. O dado, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), representa um aumento de 25,7% em relação a 2024. Na prática, foram 2,5 fuzis retirados de circulação por dia, resultado de operações conjuntas das polícias Civil e Militar.
O governador Cláudio Castro tem usado esses números como prova de que o enfrentamento ao crime organizado está mais duro. Para especialistas, o recorde de apreensões mostra avanços, mas também revela a dimensão do problema: o arsenal das facções continua vasto e sofisticado.
Retrato da violência
O assalto ao deputado Luiz Paulo não é apenas mais um episódio de insegurança urbana. É um retrato da guerra travada diariamente nas ruas do Rio, onde criminosos se equipam como exércitos e desafiam o Estado. A resposta oficial já mostra resultados históricos, mas o desafio segue monumental: desarmar o crime organizado e atualizar uma legislação que ainda trata fuzis como se fossem armas comuns.
2026-01-16 20:09:00



