Ônibus voltam a parar no Rio: passageiros viram reféns de jogo de empurra entre Prefeitura e empresas

Mais uma vez, o Rio acordou com o mesmo espetáculo de sempre: ônibus sumindo das ruas, passageiros abandonados nos pontos e autoridades trocando farpas como se estivessem em um ringue. Enquanto Prefeitura e empresas de transporte disputam a narrativa, o


Mais uma vez, o Rio acordou com o mesmo espetáculo de sempre: ônibus sumindo das ruas, passageiros abandonados nos pontos e autoridades trocando farpas como se estivessem em um ringue. Enquanto Prefeitura e empresas de transporte disputam a narrativa, o carioca segue a pé ou, quando muito, espremido em veículos que parecem ter saído de um filme de terror sobre mobilidade urbana.

Protesto ou paralisação?

Na manhã desta quinta-feira (15), motoristas da Real Auto Ônibus e da Transportes Vila Isabel resolveram escancarar a crise. Em frente às garagens, exigiram benefícios atrasados e denunciaram a precarização que já virou rotina. O resultado foi imediato: cinco linhas simplesmente desapareceram do mapa e outras oito circularam com frota reduzida. Entre as vítimas estão trajetos estratégicos como a 222 (Vila IsabelGamboa), a 432 (Vila IsabelGávea) e a 538 (RocinhaLeme).

O jogo de empurra

O sindicato Rio Ônibus não tem economizado nas acusações: culpa a Prefeitura por descumprir contratos e empurrar o sistema para o colapso financeiro. Hoje, 11 das 29 empresas estão em recuperação judicial ou seja, o caixa virou pó. Já o Sindicato dos Rodoviários denuncia atrasos em férias, 13º salário e vale-alimentação, além de FGTS e INSS que não são recolhidos desde abril do ano passado. Para completar, cerca de 60 demitidos afirmam não ter visto nem sombra das verbas rescisórias.

Prefeitura em modo ‘tudo sob controle’

Do outro lado, a Prefeitura garante que os repasses estão em dia e que o caso é monitorado pelo Centro Integrado de Mobilidade Urbana. Traduzindo: o discurso oficial é de tranquilidade, enquanto o caos se espalha pelas ruas. As empresas envolvidas preferem o silêncio, talvez porque não haja muito a dizer além de “não temos dinheiro nem diesel”.

Crise sem fim

O episódio não é novidade. Greves, atrasos salariais e falta de combustível já viraram parte da paisagem carioca. Na última segunda-feira (12), apenas 57 ônibus das duas empresas circularam reflexo direto da escassez de diesel. O transporte público, que deveria ser sinônimo de confiança, virou uma roleta russa: nunca se sabe se o ônibus vai passar ou se o passageiro vai ficar plantado no ponto.

O roteiro repetido

No fim, o enredo é sempre o mesmo: empresas culpam a Prefeitura, a Prefeitura culpa as empresas, e quem paga a conta é a população. O carioca, refém de um sistema que anda cada vez menos, já nem se surpreende. Afinal, no Rio, o ônibus que não chega é tão previsível quanto o sol de verão.



Conteúdo Original

2026-01-14 17:25:00

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