Enquanto iranianos são massacrados, Brasil solta nota tímida — oposição acusa Lula de bajular tiranos

A reação foi imediata: senadores como Flávio Bolsonaro (PL) não perderam a chance de disparar contra o governo. Para ele, Lula conseguiu a façanha de se preocupar mais com o ditador iraniano do que com os milhares de mortos nas


A reação foi imediata: senadores como Flávio Bolsonaro (PL) não perderam a chance de disparar contra o governo. Para ele, Lula conseguiu a façanha de se preocupar mais com o ditador iraniano do que com os milhares de mortos nas ruas de Teerã. “Mais uma vez Lula está do lado errado”, disse o parlamentar, lembrando que o regime já fuzilou mais de 2 mil manifestantes e que o Brasil respondeu com uma “notinha tímida” recheada da palavra mágica que o presidente adora: soberania.

Enquanto o mundo condenava o massacre, o Brasil parecia mais preocupado em não desagradar o “amigo” do Planalto. Sérgio Moro também entrou na roda, afirmando que o ataque do Irã deveria ter sido condenado sem “firulas diplomáticas”.

Se a “notinha tímida” do Itamaraty já parecia um exercício de diplomacia burocrática, o Instituto Brasil-Israel tratou de jogar luz sobre o absurdo: classificou a posição brasileira como decepcionante e acusou o governo de ter “perdido a oportunidade” de condenar um ataque ilegal que ameaça a estabilidade mundial.

Em outras palavras, enquanto o mundo inteiro apontava o dedo para o regime iraniano, o Brasil preferiu se esconder atrás de frases genéricas e de um apelo à tal “soberania” — como se a palavra mágica fosse capaz de transformar fuzilamentos em diálogo

‘Curto, atrasado e inútil’

Se a oposição foi dura, teve parte da imprensa que foi afiada. A jornalista Thais Herédia, da CNN Brasil, classificou o comunicado como “curto” e divulgado com “dias de atraso”. Em tom ácido, questionou se há diálogo possível diante de “balas e execuções”. A crítica veio justamente quando se noticiava que um jovem iraniano seria executado por participar dos protestos, somando-se às mais de 3,4 mil mortes já registradas.

Herédia ainda destacou o contraste: enquanto outros países condenaram abertamente o regime dos aiatolás, o Brasil preferiu o caminho do silêncio diplomático, quase como quem manda um emoji de “mãos juntas” em vez de agir.

A nota oficial: diplomacia ou omissão?

O Itamaraty tentou soar firme, mas acabou soando burocrático. Expressou “grave preocupação”, pediu “máxima contenção” e lamentou as mortes. No entanto, ao insistir que tudo deve ser resolvido respeitando a “soberania do povo iraniano”, o comunicado foi visto como um abraço simbólico ao regime que reprime seus cidadãos com fuzis.

O dilema brasileiro

Entre a neutralidade diplomática e a acusação de cumplicidade, o Brasil ficou com a pior das imagens: a de quem fala pouco, fala tarde e fala sem impacto. A pergunta que ecoa é inevitável: o Brasil quer ser mediador ou cúmplice?



Conteúdo Original

2026-01-15 11:49:00

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