Prefeitura do Rio autoriza derrubada de quase 40 mil árvores e militância finge não ver

Enquanto artistas, ambientalistas e militantes de esquerda fazem barulho contra o desmatamento na Amazônia e no Pantanal, o silêncio diante da devastação urbana no Rio de Janeiro autorizada pela Prefeitura é quase ensurdecedor. A floresta que desaparece agora não está


Enquanto artistas, ambientalistas e militantes de esquerda fazem barulho contra o desmatamento na Amazônia e no Pantanal, o silêncio diante da devastação urbana no Rio de Janeiro autorizada pela Prefeitura é quase ensurdecedor. A floresta que desaparece agora não está a milhares de quilômetros, mas sim na esquina da sua rua — e, ainda assim, a indignação parece seletiva.

Os números da devastação

Dados do perfil da Frente de Luta pela Arborização Urbana no Instagram revelam que 38.430 árvores foram removidas entre 2023 e 2025 com autorização da Prefeitura. Em 2021, foram 5,2 mil cortes; em 2024, o salto foi para 13,3 mil — um aumento de 151%. A projeção para 2025 é de 13.400 árvores até dezembro. Os bairros mais atingidos são Inhoaíba, Campo Grande, Barra da Tijuca, Guaratiba e Camorim, todos na Zona Oeste e Sudoeste.

Transparência que não existe

A Prefeitura exige que empreendedores plantem mais árvores do que cortam em outros pontos da cidade. O problema é que não há clareza sobre se essa compensação realmente acontece. O Conselho Municipal de Meio Ambiente cobra informações desde 2023, sem resposta. O Ministério Público do Rio notificou a Prefeitura e deu prazo até 20 de janeiro de 2026 para explicações.

O caso Bennett

No terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, mais de 70 árvores foram derrubadas para abrir espaço a um novo empreendimento. O episódio não é exceção: é apenas mais um capítulo da novela da supressão verde carioca.

A resposta oficial

Como reação, a Prefeitura prometeu criar uma plataforma de monitoramento permanente das compensações ambientais. O chamado “Compensômetro” foi lançado, mas especialistas apontam que o sistema é incompleto e falho. Na Câmara Municipal, tramita um projeto de lei para obrigar a divulgação dos dados de compensação, incluindo o destino das árvores que deveriam ser replantadas no mesmo bairro onde foram cortadas.

O que está em jogo

Sem transparência, não há garantia de que o replantio ocorra nas áreas mais críticas. O risco é que a cidade perca cobertura verde em regiões densamente povoadas, enquanto compensações simbólicas são feitas em locais distantes.

O fim das sombras

Enquanto militantes se emocionam com a Amazônia, o Rio segue perdendo árvores em ritmo acelerado. O drama urbano não rende likes internacionais, não atrai artistas globais e não vira documentário na Netflix. Mas deveria: afinal, a floresta que está sumindo agora é a que sombreava a esquina da sua rua.



Conteúdo Original

2026-01-14 09:17:00

Posts Recentes

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE