O silêncio que ecoa mais alto que os gritos
Mesmo diante de mais de 2 mil mortos nos protestos que varrem o Irã e da execução marcada para esta quarta-feira de Erfan Soltani, 26 anos, preso após participar das manifestações em Fardis, próximo a Teerã, o governo Lula e setores da esquerda nacional seguem em um silêncio ensurdecedor.
Enquanto o regime dos aiatolás reprime com violência inédita, impondo um apagão de internet que já dura mais de 108 horas para sufocar a comunicação e esconder a brutalidade, Brasília prefere fingir que não viu. A narrativa de defesa dos direitos humanos, tão repetida em palanques e discursos, evapora quando o assunto envolve aliados ideológicos ou regimes que não se encaixam na cartilha seletiva da indignação.
O contraste é gritante: em outubro de 2023, o Hamas lançou um ataque sem precedentes contra Israel, invadindo comunidades, assassinando mais de 1.200 jovens e civis e sequestrando dezenas de pessoas. A resposta israelense foi imediata — uma reação militar a um ato terrorista de proporções históricas. Ainda assim, o governo Lula e a esquerda preferiram mirar suas críticas em Tel Aviv, fechando os olhos para o massacre promovido por terroristas e relativizando a dor das vítimas israelenses e de outros países do ocidente.
O caso Erfan Soltani
Erfan Soltani, jovem de 26 anos, foi preso em 8 de janeiro de 2026 em Fardis, durante protestos contra o regime. Seu processo foi descrito por organizações internacionais como “rápido e obscuro”, sem direito a defesa. A execução está marcada para quarta-feira, 14 de janeiro, e sua família só foi informada dias após a prisão, sem acesso às acusações ou detalhes do julgamento. A ONU já se declarou “horrorizada” com a repressão, enquanto líderes internacionais incitam os iranianos a manter os protestos e prometem ajuda. No Brasil, porém, reina o mutismo conveniente.
Hipocrisia em alto volume
Mais de 2 mil mortos, 10 mil presos segundo entidades internacionais, bloqueio de internet por mais de 108 horas e a primeira execução iminente desde o início dos protestos. E o que faz o governo brasileiro? Nada. Nenhuma nota oficial, nenhuma declaração, nenhum gesto. A mesma esquerda que se diz defensora dos oprimidos prefere o silêncio quando os opressores são regimes que orbitam fora da esfera ocidental.
O contraste
Enquanto o Ocidente reage com indignação, o Brasil parece mais preocupado em manter relações diplomáticas mornas do que em defender os princípios que proclama. É o velho jogo da conveniência: direitos humanos só valem quando não atrapalham a geopolítica ou a narrativa ideológica. O resultado é um espetáculo grotesco: milhares de mortos, jovens executados, famílias silenciadas — e um governo que se cala.
Omissão ou cumplicidade?
O silêncio brasileiro diante do massacre no Irã não é apenas omissão: é cumplicidade. A esquerda que se diz guardiã dos direitos humanos mostra que, no fundo, seus ideais não passam de discurso hipócrita, pronto para ser engavetado quando o cenário não favorece.
2026-01-13 16:05:00



