Até quando clientes de quiosques vão ser agredidos diante da impunidade e da falta de fiscalização? O Código de Defesa do Consumidor é taxativo: a responsabilidade pela comanda é do estabelecimento, não do cliente. Se o controle interno falha, o risco é do fornecedor — nunca do consumidor. Mesmo assim, em Praia Grande (SP), um empresário de 55 anos foi agredido por um segurança após o amigo perder a pulseira que servia como comanda. O episódio repete o vexame já visto em Porto de Galinhas, onde turistas foram espancados por barraqueiros após contestarem cobranças abusivas. A semelhança entre os casos? A mesma ausência de fiscalização e punição exemplar, que transforma a praia em território sem lei.
O soco que virou manchete
O empresário conta que foi ao quiosque Império Espeto Bar Forte para beber uma cerveja com um amigo. O que deveria ser uma noite tranquila terminou em hospital: após o colega perder a comanda, o cliente foi surpreendido por um soco no olho desferido por um segurança. Caiu no chão, apagou e só não morreu por sorte. O agressor fugiu antes da chegada da Polícia Militar.
A versão da vítima
“Eu era cliente, mas nunca mais ponho o pé nesse lugar”, disse o empresário. Ele relatou que tentou resolver o problema pelo CPF do amigo, mas foi atacado sem aviso. “Eu poderia ter morrido porque caí de cabeça no chão. Vou até o fim para esse cara não fazer isso com mais ninguém”, afirmou.
O vídeo da vergonha
As imagens mostram o empresário sendo expulso junto ao amigo. O suposto agressor chega a tomar o celular da vítima, devolvido por outro homem que lembrou que roubo não estava no cardápio da noite. Nenhum funcionário prestou socorro. O cliente foi atendido por conta própria e fará exames para verificar possível descolamento de retina.
A nota oficial — ou a velha desculpa?
O quiosque divulgou comunicado dizendo repudiar “qualquer forma de violência”, mas acusou o cliente de iniciar a confusão. A defesa soa como déjà vu: em Porto de Galinhas, barraqueiros também tentaram justificar a agressão a turistas alegando “mal-entendido” sobre cobrança mínima. Resultado? Decreto municipal proibindo consumação obrigatória e venda casada, além de fiscalização reforçada pelo Procon. Em Praia Grande, até agora, silêncio.
A Polícia Militar registrou o caso como lesão corporal, mas o agressor segue desaparecido. O advogado da vítima promete representação criminal e ação por danos morais e materiais.
Conclusão sarcástica
Praias brasileiras parecem disputas de UFC improvisadas: clientes entram para relaxar e saem com hematomas. O CDC garante direitos, inclusive que a comanda é responsabilidade do fornecedor, mas na areia eles evaporam como espuma de chope. Enquanto seguranças se comportam como gladiadores e barraqueiros como cobradores mafiosos, resta a pergunta: quem protege o consumidor? Porque, até agora, só a areia é pública — o resto virou faroeste sem xerife.
2026-01-13 09:54:00



