A polícia da Pensilvânia prendeu Jonathan Christ Gerlach, de 34 anos, na sexta-feira (9), após encontrar mais de 100 restos mortais humanos em sua posse. O caso veio à tona quando agentes localizaram crânios e ossos no banco traseiro de um veículo estacionado nas proximidades do cemitério abandonado Mount Moriah, no sudoeste da região metropolitana da Filadélfia.
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A partir dessa descoberta, investigadores rastrearam o automóvel e localizaram Gerlach a poucos metros do cemitério, portando um pé de cabra e uma sacola com restos mumificados de crianças, crânios e outros ossos. Em seguida, mandados de busca levaram a polícia à residência e a um depósito do suspeito em Ephrata, onde foi encontrado um porão repleto de partes de corpos em diferentes estágios de conservação, incluindo mãos, pés, ossos longos, mais de 100 crânios, dois torsos em decomposição e outros fragmentos humanos.
Saques sistemáticos em jazigos históricos
Segundo as autoridades, a investigação durou vários meses e indicou que Gerlach invadiu pelo menos 26 mausoléus e jazigos históricos do Cemitério Mount Moriah, fundado em 1855 e considerado o maior cemitério abandonado dos Estados Unidos, com cerca de 150 mil sepulturas. A polícia afirma que ele utilizava ferramentas como pés de cabra, cordas e escadas para acessar criptas subterrâneas e forçar a abertura de caixões, concentrando-se em sepulturas mais antigas, muitas delas lacradas desde o século XIX.
O suspeito foi identificado após sua caminhonete ser registrada repetidamente por leitores automáticos de placas nas imediações do cemitério durante o período dos crimes. Dados de telefonia celular também confirmaram sua presença no local. No momento da prisão, Gerlach carregava “os restos mumificados de duas crianças, três crânios e vários ossos soltos”, segundo informou a Associated Press.
Durante interrogatório, ele admitiu ter retirado cerca de 30 conjuntos de restos mortais humanos e indicou as sepulturas específicas de onde os teria extraído. Diante da dimensão do caso, o promotor do Condado de Delaware, Tanner Rouse, afirmou que ainda não é possível determinar a motivação do suspeito. “Dada a magnitude do que estamos vendo e a absoluta falta de uma explicação razoável, é difícil dizer exatamente o que aconteceu”, disse Rouse a repórteres, conforme noticiado pelo The Guardian.
A polícia também recuperou joias possivelmente ligadas aos túmulos violados e um esqueleto que ainda possuía um marca-passo implantado. Gerlach deve enfrentar centenas de acusações relacionadas a roubo, profanação e abuso de cadáveres.
A descoberta causou forte comoção nas comunidades de Yeadon e da Filadélfia. Famílias com parentes enterrados no local manifestaram angústia diante da possibilidade de profanação. O chefe de polícia de Yeadon, Henry Giammarco, descreveu a cena encontrada como “um filme de terror que se tornou realidade”, segundo o Philadelphia Inquirer. “Essas pessoas não estão mais em paz, e estamos tentando entender o que aconteceu da melhor maneira possível”, afirmou.
As autoridades locais reforçaram a segurança no cemitério e selaram acessos com concreto, incluindo entradas do Mausoléu Baker, onde se acredita que o suspeito tenha depositado parte dos restos mortais. O legista do condado de Lancaster e a polícia de Yeadon trabalham agora na identificação dos corpos, que permanecerão sob custódia até que possam ser reconhecidos e devolvidos ao local de sepultamento adequado.
2026-01-13 06:14:00



