Prefeitura do Rio inventa crise e agora quer virar ‘salvadora’ das areias com tabelamento de preços

O problema que nasceu no gabinete Antes de posar de defensora do consumidor, a prefeitura do Rio foi a responsável direta pela escassez que hoje inflaciona os preços na orla. Ao restringir o número de vendedores e limitar a estocagem


O problema que nasceu no gabinete

Antes de posar de defensora do consumidor, a prefeitura do Rio foi a responsável direta pela escassez que hoje inflaciona os preços na orla. Ao restringir o número de vendedores e limitar a estocagem de produtos, o município reduziu a oferta e abriu espaço para abusos. Resultado? O banhista virou refém de preços surreais: R$ 100 por uma simples espreguiçadeira em Ipanema e até R$ 850 por um sofá de praia na Zona Oeste.

Agora, a prefeitura anuncia que pediu às secretarias de Ordem Pública e Defesa do Consumidor um estudo para avaliar o tabelamento de preços nas praias cariocas, inspirado no modelo de Tel Aviv, em Israel. A ideia é fixar valores para produtos e serviços, como já acontece com as tarifas de táxi.

O contraste da orla

A alta de preços já havia sido “profetizada” pelo Movimento Unidos dos Camelôs (Muca), contrário á repressão contra os ambulantes, assim como por alguns parlamentares de oposição.

A discrepância é gritante e as reportagens recentes deixam isso claro. Um simples coco gelado pode custar R$ 8 em um depósito a um quarteirão da praia, saltar para R$ 13 no calçadão e voltar a R$ 8 alguns metros adiante, como se o preço fosse decidido por roleta russa.

As promoções chegam a ser tragicômicas: em um quiosque, dois cocos saem por R$ 15, enquanto no quiosque vizinho os mesmos dois custam R$ 25. Frequentadores relatam que os valores dobram de uma barraca para outra sem qualquer lógica aparente, a não ser a falta de concorrência estimulada pelo próprio poder público.

No campo das reações, a concessionária Orla Rio, responsável por parte da exploração comercial, já se posicionou contra a ideia de tabelamento, alegando que a padronização não é viável. Comerciantes, por sua vez, afirmam que já praticam transparência, mas não conseguem explicar como essa suposta clareza se traduz em preços tão díspares e desconexos.

A salvadora da pátria

É irônico: a prefeitura cria a escassez, alimenta a inflação e depois aparece como heroína propondo tabelamento. O mesmo poder público que proibiu vendedores extras e limitou estoques agora quer ditar quanto custa o coco, a cerveja e a cadeira. O banhista, claro, continua pagando a conta — seja pela “liberdade regulada” ou pelo “tabelamento salvador”.



Conteúdo Original

2026-01-12 20:24:00

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