Neste ano, os organizadores do prêmio exageraram na classificação. “Martin Supreme” e, principalmente, “Uma Batalha após a Outra” podem até ter seus momentos de fazer rir, mas é simplesmente constrangedor chamá-los de comédias. Ter esses dois pesos-pesados disputando em outra categoria facilitou as coisas para “Hamnet”, “O Agente Secreto” e “Pecadores”.
No Oscar, a competição reúne todo mundo e não tem prêmio suficiente para alguns concorrentes que levaram Globos de Ouro para casa. Sem medo de uma reação tempestuosa dos fãs de Wagner Moura, sua atuação impecável deve trombar com a performance de Timothée Chalamet em “Martin Supreme”, e é difícil concorrer com um ator jovem que representa o futuro da indústria cinematográfica.
Os resultados do Globo de Ouro não influenciam apenas o caminho de “O Agente Secreto”. A vitória de “Hamnet” pode gerar preocupações na turma de “Uma Batalha após a Outra”. Ser vencedor de melhor filme comédia ou musical, melhor atriz coadjuvante, para Teyana Taylor, e direção e roteiro, ambos para o genial Paul Thomas Anderson, deveria credenciar o filme como maior favorito ao Oscar.
Mas “Hamnet” tem a seu favor, além da grife Spielberg e da presença encantadora de Jessie Buckley, ser um filme de Chloé Zhao. Os membros da Academia que mantém o Oscar gostam de reforçar sua predileção naqueles reconhecidos anteriormente no prêmio. Zaho venceu melhor filme, direção e roteiro com “Nomadland”, algo que ninguém esperava. Agora é a chance, de certa forma, para o Oscar mostrar que estava certo ao premiar a cineasta há cinco anos.
Se as categorias dedicadas ao cinema promoveram momentos inesperados, os Globos de Ouro para séries seguiram uma monotonia de favoritismos confirmados. “Adolescência” como minissérie, “The Studio””, como série de comédia, e “The Pitt” como drama levaram as estatuetas, inclusive para seus protagonistas. Houve surpresa com Michelle Williams vencendo em atriz de minissérie por “Morrendo por Sexo”, batendo a favorita Sarah Snook, de “All Her Fault”.
Como uma leve ousadia pode ser incluído o prêmio de melhor atriz de série de drama para Rhea Seehorn. Apesar de sua atuação realmente espetacular, a imprensa americana mostrava dúvidas sobre a vontade de o Globo de Ouro premiar “Pluribus”, uma série “estranha demais”, quase uma ficção científica delirante. Mas justiça foi feita, porque Rhea Seehorn conduz a narrativa de um modo arrebatador.
2026-01-12 11:54:00



