Do Amém ao Axé: Paes pede desculpa e tenta salvar o Réveillon e os votos após críticas

O prefeito Eduardo Paes (PSD) entrou em 2026 com a cara mais arrependida do Rio. Depois de chamar de “preconceituoso” o artigo do babalawô Ivanir dos Santos, publicado em O Globo, o alcaide percebeu que cutucar o povo de axé


O prefeito Eduardo Paes (PSD) entrou em 2026 com a cara mais arrependida do Rio. Depois de chamar de “preconceituoso” o artigo do babalawô Ivanir dos Santos, publicado em O Globo, o alcaide percebeu que cutucar o povo de axé não seria exatamente uma jogada inteligente às vésperas das urnas.

Resultado: desculpas públicas nas redes sociais e a promessa de erguer uma estátua para Tata Tancredo, líder religioso afro-brasileiro do século 20.

O discurso oficial

Paes jurou fidelidade às religiões de matriz africana. “Quero reafirmar meu compromisso com o povo de axé”, escreveu, lembrando que já defendeu essas tradições “muitas vezes” e que seguirá combatendo a intolerância religiosa. Para reforçar o gesto, prometeu dialogar com lideranças para definir como será a homenagem a Tata Tancredo.

O pano de fundo

A polêmica começou com a manutenção do Palco Gospel no Réveillon de Copacabana. Ivanir dos Santos criticou a iniciativa, lembrando que a festa da virada foi construída em torno de símbolos afro-brasileiros: roupas brancas, oferendas ao mar e rituais para Iemanjá. Para ele, essas práticas perderam protagonismo diante da institucionalização de espaços religiosos específicos — e sem contrapartida para o candomblé ou a umbanda.7

O contra-ataque de Paes

O prefeito não só defendeu o palco gospel como chamou as críticas de “preconceito”. Em tom de “todos cabem na praia”, afirmou que “Copacabana é de todos” e que a música gospel também tem direito a espaço. O Ministério Público Federal, porém, abriu investigação para apurar se a decisão configura intolerância religiosa.

O tom sarcástico da história

Paes agora tenta se equilibrar entre o “amém” e o “axé”, vendendo a festa como “democrática e plural”. A estátua de Tata Tancredo surge como um gesto simbólico — e, convenhamos, bem oportuno em ano eleitoral.

Enquanto isso, o palco gospel segue garantido, e o prefeito se coloca como o maestro de uma Copacabana que, segundo ele, é “de todos os santos, do shalom ao namastê”.

Em resumo

Eduardo Paes faz malabarismo político: pede desculpas, promete monumento, mas mantém o palco gospel que gerou a crise. O resultado é um Réveillon que virou palanque — com direito a fogos, fé e muito cálculo eleitoral.



Conteúdo Original

2026-01-02 13:52:00

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