A promessa de campanha do presidente Lula de que a picanha voltaria a ser presença garantida no prato do brasileiro está prestes a se tornar ainda mais difícil de cumprir. Depois de um breve alívio nos preços em 2025, o ciclo da pecuária vira em 2026 e a carne bovina deve disparar novamente, afastando ainda mais o corte mais desejado da mesa da classe trabalhadora.
Em 2026, o ciclo da pecuária e a pressão das exportações vão empurrar a picanha — promessa de Lula — para fora do alcance do trabalhador brasileiro. Os preços da carne devem subir 10%, segundo analistas do setor.
O especialista Francisco Pssoa, Fareia, pesquisador associado da FGV-IBRE, estimou ao portal Exame.com que a inflação da carne bovina deve impactar a té mesmo s margens dos produtores rurais.
No acumulado de 12 meses, a alta foi de 12,24%, impulsionada principalmente pelos aumentos no peito (17,04%) e na capa de filé (16,69%). A picanha teve alta de 7,68%.
Outro especialista ouvido pelo portal, Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, explicou que em “Em 2026 o processo de inversão do ciclo pecuário estará consolidado.
“Em 2024 houve um grande descarte de fêmeas e esse movimento continua em 2025. Com isso, estimamos que haverá menor disponibilidade de categorias mais jovens para o mercado, o que deve fazer com que seus preços subam”.
O fim da trégua
– Em junho de 2025, a inflação da carne acumulava 23,63%, mas perdeu força no segundo semestre graças a uma produção recorde.
– O Brasil chegou a ultrapassar os Estados Unidos e se tornou o maior produtor mundial de carne bovina pela primeira vez na história.
– Esse alívio, porém, foi artificial: resultado do abate massivo de fêmeas, que aumentou a oferta temporária de proteína.
O que muda em 2026
– Retenção de matrizes: os pecuaristas vão segurar as fêmeas para reprodução, reduzindo a oferta de animais para abate.
– Exportações aquecidas: a demanda internacional, especialmente da China, continua forte. Se Pequim não limitar compras, a pressão sobre o mercado interno será inevitável.
– Consumo interno em crise: famílias já migraram para frango, ovos e embutidos, mas isso não será suficiente para conter a escalada dos preços.
Impacto direto no consumidor
O trabalhador que já vinha substituindo a carne bovina por alternativas mais baratas verá a picanha se tornar artigo de luxo. A indústria até tenta segurar reajustes diante da queda no consumo, mas o ciclo biológico do gado e a demanda global não dão margem para otimismo.
O dilema da China
O grande fator de incerteza é o mercado chinês:
– Se houver cotas e salvaguardas, parte da carne ficaria no Brasil, aliviando preços.
– Se o fluxo seguir livre, o consumidor brasileiro enfrentará uma escalada ainda mais agressiva.
O cenário para 2026 é claro: acabou a trégua. A promessa política da picanha acessível se choca contra a realidade econômica da pecuária. O prato favorito do brasileiro, símbolo de churrasco e celebração, vai se afastar ainda mais da mesa popular, transformando-se em um luxo reservado a poucos.
2026-01-02 00:04:00



