Em vez de buscar diálogo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu escalar a tensão comercial com os Estados Unidos. Nesta sexta-feira (29), o Itamaraty notificará oficialmente o governo americano sobre o início do processo de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, em resposta às tarifas de até 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros. A medida, longe de ser apenas simbólica, pode desencadear uma guerra comercial com a maior economia do mundo — e mergulhar o Brasil em uma nova onda de sanções e isolamento internacional.
Popularidade em queda e retorno ao ‘quanto pior, melhor’
Após surfar brevemente na onda de indignação nacional explorada pelo governo contra o tarifaço, Lula volta a enfrentar queda de popularidade. A resposta escolhida — uma retaliação formal — reacende críticas sobre sua estratégia de confronto, vista por analistas como uma aposta no “quanto pior, melhor”. A decisão de acionar a Lei da Reciprocidade foi tomada após consultas com os ministros Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira, e reflete a percepção de que Washington tem ignorado os apelos diplomáticos brasileiros.
Especialistas alertam para riscos econômicos e diplomáticos
Adriano Gianturco, professor de Relações Internacionais, alertou em recente entrevista à imprensa que a retaliação pode provocar uma escalada tarifária, prejudicando o consumidor brasileiro com menos variedade, preços mais altos e qualidade inferior. “É o jogo da galinha: quem recua primeiro perde. Mas o Brasil tem menos poder de barganha”, afirma.
Daniel Cerqueira, do IBMEC, também em recente entrevista reforçou que Trump pode retaliar ainda mais. “Além das tarifas, há risco de sanções indiretas e isolamento. Trump já pressionou países a cortar relações comerciais com a Rússia. O Brasil pode ser o próximo alvo”, alerta.
Caminho incerto
Embora o governo afirme que ainda há espaço para negociação, a decisão de Lula marca uma virada agressiva na política externa brasileira. Se o processo avançar sem acordo, o Brasil poderá enfrentar não apenas tarifas mais duras, mas também uma retração de investimentos, perda de competitividade e isolamento em fóruns internacionais.
A aposta de Lula reacende o debate: é possível enfrentar Trump sem sacrificar o Brasil? Ou estamos diante de mais um capítulo da política do “quanto pior, melhor”?
2025-08-29 12:00:00